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"Como vou querer que as pessoas entendam o que passa pela minha cabeça se nem mesmo eu entendo?"
- Dalí

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post barraquento.

Essa história eu já contei para muita gente, alguns até devem estar cansados de ouvir, mas quem não sabe agora vai conhecê-la. Como toda familia que se preze tem suas intrigas, na nossa também haveria de ter. Uma competição idiota que alguns integrantes dela sempre tentaram fazer com "o meu galho" da árvore genealógica, e que por mais que a gente tente escapar, sempre nos perseguem. Para mim falar da história toda seria preciso posts e posts nesse blog e nem é essa intenção. Só o que preciso contar são alguns fatos mais recentes.

Desde que eu entrei na FAFI fui alvo de comentários maldosos dessas pessoas. Apesar de ter batido na trave da UFPR sem cursinho algum e sem nunca ter sido um aluno aplicado, sou visto por essas pessoas como um fracassado. Ainda mais quando aqueles mesmos tem grana (será?) para sustentar filho na capital, pagar cursinho caro e dessa maneira passá-lo numa federal. Até ai tudo bem. A treta começou em um aniversário do meu irmão, quando os dois estiveram aqui. Na mesa da cozinha se encontravam meus pais, meus irmãos, cunhado e namorada. Durante a conversa (entre eles) um soltou: "tá mãe, você quer que eu seja um professorzinho então?".
Aquilo doeu. Não por mim, mas por meus pais. Só quem conhece a nossa familia sabe de todas as dificuldades que passamos ao longo desses anos. Meu irmão passou mais de dez anos em camas de hospitais, minha irmã também teve seus probemas de saúde, eu mesmo também tive que operar meu joelho (se não eu pdoeria a longo prazo perder os movimentos do mesmo). São coisas que acabam com o financeiro e o emocional de uma familia. É claro que toda mãe quer fazer o máximo para dar de tudo para os filhos, e é claro que minha mãe sabia que eu (e também meus irmãos)tinhamos sonhos, mas não dava mesmo. E é claro também que meu sonho não era História, mas eu escolhi por ter afinidade com a matéria, por ser uma faculdade pública e um curso de qualidade. E sim, me formaria professor, ou professorzinho mesmo. Ainda mais numa família "tradicional" como a nossa, onde alguns (não todos) considerariam uma vergonha não ter um filho médico, engenheiro, advogado ou algo do tipo "socialmente e moralmente" respeitável.

Mas o tempo passou. Fui pegando gosto pelo curso, fui fazendo amigos e fui feliz nesses quatro anos. Ainda mais que isso. Escrevi uma monografia que, apesar de ser um tema já batido na academia, é ressaltada pelo meu orientador como um olhar meio que inédito sobre o tema, com possibilidades de vir a tornar-se um trabalho de pós ou até uma dissertação de mestrado quem sabe (e eu nem quero continuar com o tema), fiz um TFES que por conta do maldito teórico Cipriano Luckesi não alcançou nota máxima mas foi muito elogiado pela banca, já publiquei dois artigos científicos, estou aguardando quem sabe a confirmação de mais um, e preparando outro para comunicar ano que vem, vou começar minha pós-graduação e fui bolsista do maior programa de extensão universitária do Brasil, o que tem um peso gigante em um currículo acadêmico.

Como se não bastasse, ainda dentro do projeto em que estou publicamos um livro, com dois capítulos onde faço parte da autoria e o qual foi ontem apresentado à sociedade uniãovitoriense. Como se ainda não bastasse, diretor de outra faculdade daqui e um vereador vieram me parabenizar ressaltando a figura do meu avô. O mesmo avô que foi lembrado também por um dos nossos entrevistados para um dos artigos, que me falou que o vô deveria estar orgulhoso de mim. Só lembrando que meu avô é pai da mesma pessoa que me tratou como "professorzinho". Se ele está orgulhoso de mim eu não sei, mas muito melhor serem feitas menções a esse meu parentesco em momentos de sucesso como esse do que com escândalos envolvendo desonestidade da braba não é?

Então, como esse post um tanto quanto barraquento, gostaria de dedicar todo o meu relativo sucesso acadêmico, desde bolsas, publicações de artigos e meus capítulos no livro a essas pessoas que menosprezaram um membro de sua própria familia e uma profissão das mais importantes para uma sociedade, e que deve sempre ser reconhecida como tal. Como disse um professor meu uma vez: "a gente faz quatro anos de graduação, dois de pós, dois de mestrado, quatro de doutorado, sem falar em pós-douturado e vai ser sempre tratado por professor, enquanto qualquer bacharelzinho de direito ou dentista quer ser chamado de doutor". Mas mesmo assim temos orgulho de sermos professores. Cada aplauso que a gente recebeu das nossas crianças no projeto, os apalusos da turma onde eu apliquei meu TFES, os alunos que me cumprimentam por professor na rua e os aplausos e cumprimentos de ontem reforçam mais esse orgulho.

Logo, dedico esses sucesso a vocês, irmã da mãe e seu filho. Suas provocações foram aceitas por mim como um estímulo positivo para continuar sempre. E ainda estarei durante toda a minha vida dedicando mais sucessos a vocês. E isso é triste especialmente para você, cara senhora: em 21 anos já fiz coisas muito mais importante do que você em toda sua vida. E o melhor, sempre vou poder deitar a cabeça no travesseiro com consciência tranquila, e nunca esconderei quem realmente sou em uma hipócrita máscara de "pessoa religiosa".

- Escrito pelas 11h55, .

auto-jabá

Hoje, no salão nobre da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de União da Vitória, às 19:30, o projeto "Contando Nossa História, Construindo Cidadania: a história local como espaço privilegiado para o convívio comunitário e exercício da cidadania ativa", que integra o subprograma de apoio às licenciaturas do programa Universidade sem Fronteiras, do Governo Estadual do Paraná, estará lançando o livro "Fragmentos de Memória: Trechos do Iguaçu", que trás ao público os resultados parciais das pesquisas que vem sendo feitas no último ano nas cidades de União da Vitória, Porto Vitória e Paula Freitas. A idéia principal do livro não é o de "contar a história" dos municipios somente, mas fornecer subsídios para o ensino de história local nas escolas da rede municipal de ensino (o que é previsto por lei) e também como incentivo para futuros trabalhos acadêmicos dentro do tema. Para isso, umas das intenções não é a de comercializar o livro, mas distribuí-lo gratuitamente para os professores da rede municipal. Para a realização desse projeto, contamos não apenas com a verba do programa estadual, mas também das prefeituras dos municipios envolvidos pelo trabalho, o que mostra o reconhecimento que os mesmos tem confiado nos trabalhos realizados pelo projeto.

Este que vos escreve contribuiu na escrita de dois capítulos desta obra.

Durante a solenidade, haverá uma apresentação musical dos acadêmicos do curso de história, Alam Arezi (Le Bohemes) e Jefferson Lima (B-Volt).

- Escrito pelas 00h52, .

frase da semana.

"Sabe mãe, eu não me sinto seguro ainda para ser professor. Acho que eu precisava pegar agora uma turma em uma escola que não exigisse assim muito trabalho por parte do professor, e que não se preocupasse muito com qualidade de ensino. Algum lugar tipo Uniguaçu ou Face".

hahahahahahaha

- Escrito pelas 15h09, .

post fútil.

Playlist do mp3 no momento:

The Beatles - Revolver
The Beatles - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
The Beatles - White Album
The Beatles - Abbey Road
The Beatles - Past Masters Vol. 2
Bob Dylan - Highway 61 Revisited
Bidê Ou Balde - Outubro Ou Nada
Graforréia Xilarmônica - Mtv Ao Vivo
Little Joy - Little Joy
Kaiiser Chiefs - Employment
Mallu Magalhães - Mallu Magalhâes
Wilco - Kicking Television
Someone Still Loves You, Boris Yeltsin - Broom
Someone Still Loves You, Boris Yeltsin - Pershing
The Frames - The Cost
Los Hermanos - 4
Los Hermanos - Ventura
Los Hermanos - Bloco do Eu Sozinho

Na cabeçeira:

Viagens na irrealidade cotidiana, do Umberto Eco
Tempo passado - cultura da memória e guinada subjetiva, da Beatriz Sarlo
Arquipélago Gulag,  do Soljenitsin

- Escrito pelas 13h47, .

canticles

    

Inovações tecnológicas sempre tardaram a chegar aqui em casa: microondas, dvd, video-cassete e computadores/internet - quem já viu o meu computador ou tenta me mandar algum vídeo do youtube sabe bem disso. Com música também foi assim, logo, muito antes do cd e até do mp3 chegar junto com o computador eu aprendi a gostar de música com discos de vinil (na época em que eles começavam a cair no ostracismo e não era tão cool tê-los) e principalmente fitas cassete. As fitas cassetes tiveram grande importância na minha vida, eu já falei delas aqui. Já falei da primeira fita que eu tive em um dos textos onde eu tentei contar a história da minha (não)carreira músical, que era de músicas de palhaços que eu curtia dançar para a alegria da casa (risos) . As primeiras coisas do rock que eu ouvi foram em fita: acho que o primeiro album que eu lembro ter ouvido foi um fita do meu irmão do Guns, Apettite For Destruction. Minha mãe também comprava umas fitas originais (isso existia, acredite) para ela e eu ouvia junto, e assim, ainda na pré-escola e no primário eu conheci Beatles e Raul Seixas (esse papo de "ah! conheci isso porquê meus pais ouviam", que eu acho a maior falcatrua, no meu caso é verdade). 

Uma fita que eu gostava muito e ganhei da minha mãe foi uma do Simon & Garfunkel, The Definitive Simon & Garfunkel. Ouvia muito Mrs. Robinson e The Sound Of Silence, as mais clássicas da dupla. Inclusive eu lembro - e isso eu esqueci de contar naquela revisão da minha (não)carreira - de aproveitar uma elevação de nível que tinha entre as salas de estar e de jantar do apartamento da minha vó para fazer de conta que aquilo era um palco, onde eu tocava meu violão-raquete de tênis (isso eu contei) dublando essa fitinha. Certa vez eu perdi essa fita e lembro de ter ficado muito triste e puto, por achar que uma das empregadas da vó (hoje eu vejo que isso seria absurdo) ou meus primos (possibilidade mais sensata) tinham faturado a fita de mim. Só quando a vó faleceu que achamos dentro do guarda-roupa dela a fita, sã e salva (acredito que ela guardou para mim e me fez achar depois, como um tesouro reencontrado). Mas, coisas da vida, a gente às vezes acaba deixando de ouvir certas coisas, não por não gostar mais, mas por vir ao longo do tempo descobrindo algumas coisas novas e parando de dar a atenção devida a outras. A própria praga que é o heavy-metal melódico, que é mais um cabresto musical do que um estilo, acaba intensificando isso.
Mas passados esse periodos negros, tive reencontros com Simon & Garfunkel. O primeiro foi quando eu ganhei de um tio meu uma leva de grandes discos de vinil: entre tantos alguns do Chico, o Aqualung do Jethro Tull, Wings, o Let It Bleed dos Stones, o primeiro do Bob (preciosidade hoje em dia assediada) e o The Concert In Central Park da dupla. Uma curiosidade a respeito desse vinil é que no encarte dele há várias fotos do show, e em uma onde o público é fotografado tem um cara que é idêntico ao professor do biologia lá do colégio. Não precisaria nem dizer que esse encarte passeou por todo o colégio na época, e graças ao bom humor do professor isso não foi outro motivo para mim ser suspenso lá.
Depois, foi assistindo A Primeira Noite de Um Homem (The Graduate), de Mike Nichols. Clássico onde Dustin Hoffman decolou na carreira, sua trilha sonora é guiada pelas músicas da dupla. Uma obra de arte.
E agora, nos últimos dias, pensando em músicas para assassinar no violão, me veio na cabeça Mrs. Robinson, The Sound Of Silence e I Am a Rock e resolvi baixar algumas coisas deles: o som do toca fita tá falidaço e a vitrola fica na sala de casa onde sempre tem alguém vendo televisão. Estou aproveitando para conhecer outras coisas deles, que na coletânea em cassete e no ao vivo em vinil não constavam.

Vale a pena ouvir. Os arranjos vocais dos dois, a poesia e os violões são formidáveis. E no panorama atual da música, onde há uma redescoberta do folk guiada pela hype em cima de filmes como o do Dylan (e antes do Cash) e onde a mais nova salvação da música brasileira é uma menina de 15 anos que quer ser o próprio Dylan,  Paul Simon e Art Garfunkel mereciam ser ouvidos.

Baixe:
Trilha Sonora de A Primeira Noite de Um Homem
Simon & Garfunkel - The Essencials CD1
Simon & Garfunkel - The Essencials CD2

obs- Não sei se despertou alguma curiosidade sobre quais seriam os vinis que eu possuía na infância, mas eu sinto que eu preciso revelar isso para o mundo, nem que o mundo seja só duas pessoas que leiam o blog. É bizarro.

- Escrito pelas 00h45, .

old melody hoje no ópera

        

 

old melody está no myspace.

 

- Escrito pelas 13h26, .

r.i.p.

Já estava programando uma volta do limbo para as linhas do meu bloco de notas, mas resolvi antecipar esse retorno em virtude da triste noticia de mais um que deixou o mundo na data de hoje:


Mitch Mitchell tocou bateria naquela que poderia ter uma das maiores bandas do mundo se tivesse gravado um disco: o Dirty Mac, que alem do baterista possuía ninguém mais ninguém menos que Eric Clapton na guitarra, John Lennon na guitarra e nos vocais e como baixista...Keith Richards. Quem quiser conferir a atuação desses caras dá uma conferida naquele dvd dos Stones, Rock'n Roll Circus.

Mas esse não foi o ápice da carreira de Mitchell, pois ele foi baterista do Jimi Hendrix Experience. Precisa mais?

Ao lado de Ringo Starr e Keith Moon, o cara marcou aquela década com suas baquetas.

hoje, de morte natural. 62 anos.

- Escrito pelas 12h30, .

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