"Como vou querer que as pessoas entendam o que passa pela minha cabeça se nem mesmo eu entendo?"
- Dalí
- Eu pensava que a propaganda do desodorante era com o Édson Celullari...mas o correto, segundo fontes, era o Vitor Fasano.
- Um palmeirense com a bunda dolorida pela "erguida na bicuda" que o time dele levou do Coxa disse que eu estou afirmando que o Coritiba já foi campeão da libertadores. Uma leitura atenta pode ver que não existe essa afirmação, só uma leitura mal intencionada vê isso. Até porque, qualquer pesquisa rápida no google mostra que o Coritiba ainda não tem uma libertadores.
Pronto. Pecados reconhecidos, me queimem na fogueira. Corretor ortográfico, você tem um novo parceiro!
Pedi para a minha mãe voltar do mercado com um desodorante para mim (em certos assuntos ainda não sou um menino de 21 anos independente) e ela trouxe esse Axe novo, Dark Temptation, com "o efeito do chocolate". Até que tem uma fragrância bacana, não é enjoativo nem nada. Quando passei e saí na rua pela primeira vez, fiquei imaginando se a mulherada estava me vendo como um boneco gigante de chocolate e estavam com vontade de me dar umas mordidas como na propaganda, hehehe. Isso me fez lembrar quando eu era criança pequena ainda, e vi na tevê a propaganda do Édson Cellulari, do desodorante "Avanço", do famoso bordão "com avanço...elas avançam". Mamãe também comprou para mim o desodorante - a meu pedido - mas nenhuma das menininhas da pré-escola me avançou. Anos mais tarde, uma delas topou namorar comigo, mas duvido que foi por causa daquela merda de desodorante: usei uma ou duas vezes e abandonei (parecia aqueles Brut, que servem mais para matar barata ou espirrar na frente de um isqueiro do que para tirar o cheiro de asa debaixo do braço)
Algumas propagandas são geniais. Mas como ainda tem publicitário burro nesse meio!
Tipo a propaganda nova do Ford Ka. Aquilo é bizarrice, até injusta para um carro que realmente está bonito (considerando o quão horrível são os antigos). Geralmente os caras engrandecem o produto que eles tentam empurrar para nós. No caso dos carros, sempre tem umas expressões como "um carrão", "seu primeiro grande carro", "inveje seus amigos", "igual no mundo inteiro"...Mostram jovens bonitos e felizes fazendo festa dentro deles, ou alguém correndo com seu Eco Sport de alguma encrenca entre outras bobeiras. Mas o Ford Ka foi o ápice...o cúmulo: é só um carro...bacana. Só isso. Eles não querem vender um "carrão": só um carro bacana.
Os caras que desenharam e desenvolveram esse Ka novo ficariam muito putos com essa propaganda. Afinal, eles conseguiram transformar um dos carros mais feios no mercado num carro realmente bonito, e ai chega um publicitário e chama o carro de...bacana!
Quanto um cara desse ganha? Pela metade do salário de um cara-palida desses, até eu bolaria uma campanha muito mais vendável que essa do carro...bacana. Até um carro que fosse visto na propaganda como um chocolate a ser devorado pelas atrizes venderia mais que esse carro...bacana. Até o Edson Celullari dizendo: "compre esse carro e pegue um monte de mulher, mesmo usando Avanço" é melhor que o tal..bacana.

Nick Hornby, Febre de Bola.
Se em 2005, ano em que entrei na faculdade, eu não conversava muito com a galera do curso (ainda bem), só três anos depois - justamente no ano em que pretendo sair da faculdade - meu time volta à elite do futebol. isso significa que agora posso discutir futebol com a galera em nível de igualdade. Se nos outros anos, entre piadinhas relacionadas à saegunda divisão, ou comentários do tipo "eu não acompanho torneios de menor expressão", só as vezes a galera comentava alguma coisa comigo relacionada ao Coxa (mais em nível de excentricidade pela situação do meu time do que por conversa séria), agora sou adversário deles nas conversas. E, de maneira brilhante, já no primeiro jogo o meu "modesto" (na opinião deles) time bateu o todo poderoso e coroado pela mídia como "campeão brasileiro de 2008" Palmeiras, time de dois dois integrantes da galera que discute futebol lá na facul.
A turma lá é assim. O são paulino, há dois anos vê seu time ser campeão brasileiro, e desde 2005 como favorito na principal competição da América, a Libertadores. Logo é o que mais tira sarro dos outros, mas também que aceita provocações (na maioria relacionadas ao jeito "bambi" de ser do time dele) a menos que não seja dos palmeirenses. Esses, os mais chatos, acham que vão ser campeões brasileiros esse ano, mas o Coritiba já os colocou nos seus devidos lugares no primeiro jogo. Um pensa que é italiano (biturunense) e é a maior vítima de provocações, sejam futebolísticas ou não. O outro ladrou o inicio do ano inteiro que seu time seria campeão com os jogadores do coxa, mas só conseguiram tirar o Henrique e ainda perderam para nós. O gremista é solidário pois seu time ha pouco tempo também esteve na série B, mas é o atual vice-campeão da libertadores. O flameguista participa pouco, até porque não entende porra nenhuma de futebol. E o Corinthiano...bem...tá fora da conversa esse ano.
Todos da turma torcem para campeões brasileiros. O meu foi uma vez apenas, em 1985, dois anos antes d'eu nascer. Com a exceção do Corinthians, todos foram campeões da libertadores, foram a Tóquio disputar mundial e estão sempre brigando pela ponta de cima da tabela no brasileiro. Não que o meu time não seja assim: o Coxa sempre esteve entre as 10 maiores forças do futebol brasileiro e fazia sempre boas campanhas, até ser injustamente rebaixado pelo tapetão em 89. Voltou apenas em 95, e desde então fez suas boas campanhas e tem revelado grandes craques que logo são aliciados por times do eixo RJ-SP ou europeus. Mas como na década de 70 ou em 85, o Coxa não teve campanhas parecidas. Rebaixado em 2005, só conseguiu voltar em 2007, campeão da série B, e agora fica a expectativa de uma boa campanha, para quem sabe tentar algo maior em 2009, ano que o clube completa seu centenário.
Mas como torcer para um time que teve os seus ultimos grandes títulos em 85, antes mesmo d'eu nascer, e a série B ano passado? (ganhar do patético em Paranaense não conta) É o principal argumento de provocação da minha galera ai citada. É algo que o amor a um time de futebol não explica. O amor por futebol é irracional, às vezes menos e as vezes mais, como é o caso de quem torce para Flamengo, Corinthians ou Patético Paraguaio.
Nick Hornby em certa medida explica isso para os "que não entendem tanta fixação por futebol" em Febre de Bola. Básicamente auto-biográfico, no livro o autor conta passagens de sua vida relacionadas com o futebol e seu time do coração, o Arsenal da Inglaterra, considerado pelo folclore da bola como o time mais chato do mundo. Seus capítulos são dividos por jogos que sua memória selecionou, e lá estão nas suas páginas todas as derrotas, frustrações, ódios, momentos que o amor pelo time chega até a atrapalhar a vida pessoal do torcedor, gastos...mas também a alegria, os títulos, as comemorações e todo o lado bom de ser torcedor de futebol.
Nick explica como torcedor do Arsenal, time que passou por longos jejuns de títulos, como que com isso a torcida vai aprendendo a valorizar cada sequência de vitórias , cada vitória, cada gol, cada dividida, cada defesa como se fossem pequenos títulos. Pouco importa a falta de grandes títulos: um estadual acima do maior rival às vezes vale como um mundial, mesmo que seja um mundial apenas dentro de uma cidade, como é o caso do Atletiba. Não só o meu time, o Coritiba, como todos os outros, inclusive o nosso maior rival (convenhamos: é necessário ter o "outro":se não torcer não teria tanta graça), tiveram suas épocas de glória, seus grandes títulos, mas também passaram por crises e jejuns. Assim como hoje alguns times estão no topo, daqui um ano ou mais podem ser outros, inclusive o meu. Enquanto isso eu vibro com um paranaense, uma série B, com uma vitória sobre o todo poderoso Palmeiras ou com uma boa campanha no nacional. No futuro, quem sabe até num futuro bem próximo, já estejamos lá, disputando de igual para igual contra paulistas, cariocas, mineiros e gaúchos pelos grandes títulos. E a torcida estará lá: do cara que viu o timaço dos anos 71-76 jogar ou viu o título de 85, passando por quem nasceu depois, quem viu o Alex jogar no coxa, viu o coxa cair e subir novamente ao alto da glória até os gurizinhos que estão nascendo hoje e que serão coxas no futuro.
Para quem não entende "a ingnorância e alienação dos que gostam de futebol", para as namoradas que não se conformam em ter que dividr a atenção de seus pares com um time de futebol e para quem é maluco por futebol, esse livro é uma aula. Desde como um simples esporte pode virar uma fixação ou um vício para muitos, até muito da história do futebol que foi narrada nesse livro pelo inglês ícone da cultura pop.
Em tempo: prefiro torcer para um time que fica a 200 km de mim, do qual eu já assisti vários jogos ao vivo no estádio e tenho uma boa coleção de camisas oficiais a torcer para um time do rio ou são paulo, nunca ter visto meu time jogar de perto e nem sequer ter uma camisa do meu time para comemorar um estadual vencido (fora desse estado).
Não entendo o porquê das pessoas quando brigam comigo me chamarem de gordo, ou de termos similares. Afinal, não são eles que estão me alertando para a minha (falta de) forma física: todo dia quando acordo e me olho no espelho percebo isso, da mesma maneira que trato de manter essa aparência em toda refeição que eu faço.
Além disso, quando saio na rua, todo mundo que me olha percebe que eu sou gordo. Logo, precisa alguém, na tentativa de me ofender, usar minha forma física, quando eu e todo mundo já sabemos disso? Ele acham que sim, assim como devem achar que eu me ofendo com isso. Deveria eu me envergonhar por ser gordo?
Vejo todos dias e em todos os lugares corpos sarados e saudáveis, pessoas que gastam dinheiro para ostentarem uma boa aparência e me pergunto: "será que nessas cabeçinhas tem malhação também?". Antes ser gordinho mas como uma cabeça massa, como eu (acho que) tenho, do ser fortinho, musculoso, alienado, fútil e burro.
Ou não? Esses dias foi lançado um livro com o irônico título "O segredo está na ignorância" ou algo parecido, no qual o autor, ironizando com a extensa literatura de auto-ajuda que infesta nossas livrarias e estantes, defende que o segredo da felicidade está em ser ignorante. Confesso até concordar que ele não deixa de estar certo, mas para quem já deu os primeiros passos para além da alienação, já não adianta querer voltar ou ficar no meio do caminho.
Mas voltando às ofensas. Não tenho vergonha de ser gordo. Antes até ser chamado de gordo do que ter a mãe ofendida não é? Mas o que dói mais é ser chamado de metido à inteligente: "Vá ler teus livrinhos lá, seu metido à inteligente de merda!". Ok, vou sim. Aliás, vocês deveriam também. Não que eu me ache o filosofo-poeta-historiador-suprasumodaintelectualidadeuniversal, longe disso...Eu sou sempre a mesma pessoa, seja quando estou com meus colegas de classe e de trabalho, meus professores, e meus amigos: dos já formados, dos universitários até o menos escolarizado.
Agora, essa modalidade de ofensa para mim é nova, e nem sei se sou digno de recebê-la.
Se ler livros e/ou fazer faculdade é um crime, deveria-se chegar, por exemplo, para José Mindlin, dono de uma das maiores e mais importantes bibliotecas particulares do mundo e falar para o já velhinho, com todo respeito: "ô sêu babaca! se feche ai com esses teus livros de merda e enfie o dedo no cú". Ou então, antes de uma cirurgia, o paciente dizer ao seu médico: "ô seu filhodaputa! enfia os seus 7 anos de faculdade e todo o tempo e cursos de especialização no seu rabo!". E xingar todos os cientistas, escritores, filósofos, poetas...enfim, todo mundo que cometeu o erro de algum dia na vida, ter pego um maldito livro e lido a também maldita primeira página, e depois ter continuado por milhares de outras malditas páginas e livros.
Alguém explica para os cara-palidas que quando a gente lê algum livro, por mais discutível que seja a sua qualidade, acabamos assimilando ele e levando para a vida não só o seu conteúdo, mas a influêcia que a palavra escrita deve exercer no nosso cérebro. Quem lê bastante consequentemente vai ter um vocabulário mais rico, uma maneira de falar mais polida, uma ortografia melhor (mas nem sempre, como o principal comentador desse blog, o "corretor ortográfico", pode mostrar), um conteúdo e uma bagagem cultural melhor, e por ai vai. Impossível um leitor - seja ele compulsivo ou não - consiga depois de tantas páginas por hora rodadas em vida, conversar em pé de igualdade com essa pelegada que anda por ai. Logo, qualquer maneira "natural" de agir vai ser encarada por eles como uma tentativa de "se pagar de inteligente", sacô mâno?
Isso não é um manifesto à favor da arrogância nem uma apologia às pessoas menosprezarem as menos instruídas. Agora, eu não sou (e ninguém é) obrigado a falar errado, na gíria "jovem" da pelegada, muito menos partilhar do vestuário ou da visão de mundo deles. Mesmo que a pena seja a de ser xingado de gordo e de "metido à inteligente".
O bom disso é que essas coisas me dão assunto para escrever. Se o cara tivesse se referido à minha mãe eu estaria sem assunto, com a cara
cheia de cicatriz e quem sabe até ter dado umas bordoadas bem dadas. Mas prefiro ficar com fama de "gelão" a ser preso por bater em menor de idade e em toda a sua turma de ignorantes sem futuro. Assim é mais divertido, afinal [irônico mode:on], somos superiores, não somos? [irônico mode:off] Nascemos sem garras afiadas, caninos gigantes ou bcos pontiagudos, mas com uma massa cinzenta dentro da cabeça. Todo mundo deveria tentar aprender em vida a usá-la, como alguns fazem. Quem tem preguiça ou incapacidade disso, que fique xingando e vivendo da maneira que quiserem...e chega disso, porque eu já extendi demais.
Sempre que alguém me manda algum link do youtube, todo constrangido tento explicar que eu não posso assistir, pois o meu computador é muito antigo e essas "modernidades" da internet nele não funcionam. O mesmo acontece com o last.fm que eu só atualizo de vez em quando, pois o aplicativo deixa meu computador lentíssimo. Também não posso baixar filmes e seriados, nem aproveitar os joguinhos, tanto esses bacanas quanto os mais simples em flash...
Para você ter idéia, o meu cpu é daqueles que ficam deitados, ou na horizontal (como preferir).
Só que ao invés de eu usar a defasagem do meu computador como mais um incentivo para mim mantê-lo desligado, aproveitando assim o tempo que eu dedico a ele em coisas mais importantes como estudar, fazer trabalhos ou adiantar minhas leituras atrasadas, e usar a internet só de vez em quando no computador do meu pai, que fica a quatro cômodos de distância do meu e é jovem o suficiente para permitir que eu usufrua das inutilidades modernas que a internet cria a cada dia, eu insisto em usar a minha "calculadora gigante".
Eu ando muito acomodado.
Em poucas horas, exatamente à meia-noite e cinqüenta e oito minutos do dia dois de maio, este blog estará completando três anos de vida. Na verdade esse aniversário era para ser no dia primeiro, mas na época eu tinha conexão discada e só podia entrar depois da meia-noite na net, e como naquela época eu conseguia ser pior do que sou hoje para escrever, a coisa foi um pouco complicada. Mas saiu, e depois daquele primeiro post vieram outros igualmente ruins, mas olhando para o blog hoje eu percebo uma certa evolução nele.
Então, depois das 00h58, dêem parabéns a ele.