eu não sei ter leitores.
É sempre assim: toda a vez que o indicador do feedburner aponta para um aumento no número de assinantes do meu feed, eu fico feliz e me empolgo. Só que a resposta a isso de vez em sempre é um post ruim, e/ou tratando de um assunto não tão bem visto aos olhos da maioria.
Por exemplo. Segunda-feira eu tive pela primeira vez dois digitos no meu número de assinantes, e fiz um post sobre futebol (que não agrada aos "esclarecidos" em geral) e sobre o Coritiba, um time com pouca torcida. Somando a isso o fato de eu ter (na visão das pessoas, porque eu me acho com a razão) exagerado no tratamento com a torcida adversária, usando até alguns palavrões e ofensas de baixo nível, e pronto: já caiu em dois números meus assinantes.
Para ler isso aqui a pessoa tem que primeiro me conhecer. Se não vai achar (ou será que todos acham?) que eu sou um idiota.
Em breve, vou defender o direito de gostar de futebol sem ser um individuo alienado pelo (ouça aqui uma risada fantasmagórica) sistema.
- Escrito pelas 14h42,
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o dia em que eu fingi ser um porco.
Ponta Grossa, 27 de abril de 2008. Data do primeiro jogo da final do campeonato paranaense, entre o glorioso Coritiba Foot Ball Club e o patético paraguaio.
Não acompanhei o jogo por estar em Ponta Grossa. O timinho da rebaixada que pensa ser um grande clube europeu não aceitou a cota que a televisão ofereceu e por isso seus jogos não são transmitidos. Não pude ouvir pela rádio, pois eu estava num almoço em uma casa de...pateticanos. Por isso, abandonei qualquer tentativa de acompanhar o clássico, e saí com minha namorada.
Já era umas 18h30 e jogo já tinha terminado, mas eu ainda não sabia o resultado. De repente, vejo vindo na outra esquina um trouxa-babaca-lazarento-fdp com o uniforme rubro-negro dos presidiários paranaenses.
Não tive dúvida. Falei para minha namorada: "Laís, vamos se passar por marginais ignorantes para perguntar o resultado". Ela topou.
"Ei amigo! Dá licença?"
(o cara olha com medo)
"Sabe quanto deu o jogo do Atlético?"
"Ih cara, deu 2x0 Coxa", ele respondeu.
"Putz! Que cagada né?, disse eu, fazendo uma cara triste.
"Iiiihhh que droga", disse a minha namorada.
A gente ainda teve respeito pelos desprovidos de cérebro e não rimos até dobrar a esquina. Depois caímos na gargalhada.
Bem feito seus porcos lazarentos. Levaram mais um nabo do Coxa, e se preparem: domingo que vem, a taça é nossa!
hahahahaha
- Escrito pelas 12h40,
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tempo é dinheiro.
To naquelas de me sentir um verdadeiro saco de lixo gigante. Tudo isso pelo dia que tive, onde não fiz absolutamente nada. Ok, acordei cedo pra cacete, fui dar aula para criançinhas espertas, e voltei para casa, onde eu tive um almoço maravilhosamente foda. Só que, depois disso, não fiz mais nada. Deitei e dormi, acordei, tomei café, sentei na frente do pc e (com exceção da pausa que um blecaute na minha quadra proporcionou) fiquei aqui até agora, no momento em que vos escrevo. Tenho trabalhos, provas, artigos, um conto, uma barba e um cabelo para cortar, um par de sapatos para engraxar e camisas e gravatas para provar se ainda servem e combinam e...não fiz abslutamente nada. Pode parecer a maior mentira do mundo essa afirmação vinda de mim, mas odeio ser improdutivo. Odeio não fazer nada. Eu tenho que aproveitar bem meu tempo, se não fico muito puto.
Mas, nada disso se compara a assistir Kelly Key no programa do Jô falando das vezes em que ela cagou (e eu não to falando da música dela, to falando de cagar mesmo) em lugares excêntricos, como numa caixa de pizza. Esse foi o ápice do tempo perdido, mal aproveitado e desperdiçado...
Sinto que, quando chegar a hora da minha morte, vou me arrepender de ter perdido meu tempo e meu sono (amanhã tenho mais crianças) nisso.
- Escrito pelas 01h06,
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dica
O Liberal, Libertário, Libertino, um dos meus blogs preferidos, tem feito uma série de posts muito legal debatendo questões raciais. Vale a pena você conferir:
Usos do Nego
Quem Sabe da Ofensa é o Ofendido
Ser da Raça Certa I: Você É da Raça Certa?
Ser da Raça Certa II: 100% Branco
Ser da Raça Certa III: De que Cor É o Personagem?
Ser da Raça Certa IV: O Critério Eliminatório
- Escrito pelas 16h01,
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gee-day

Num dia repleto de boas noticias, como a confirmação de que o filme do grande Glen Hansard é realmente muito bom e que o encontro regional do "Universidade sem Fronteiras" foi adiado, uma triste noticia: eu perdi o Gessinger Day.
Na verdade, só hoje eu descobri que existia o Gessinger Day. O Gessinger Day, dia 11 de abril, foi o dia escolhido por uma galera para todo mundo colocar em suas mensagens pessoais do msn alguma frase do messiânico profeta do rock brasileiro. Não desmerecendo a música do Humberto Gessinger, mas a verdade é incontestável: todo fã de Engenheiros do Hawaii é um chato. Isso é lei universal da física. São eles que vem com aquelas citações previsíveis, que conversam com você como se estivessem declamando poesia, que realmente se acham poetas (são no máximo poeteiros) e que ficam com aquela putaria de parafrasear canções do Gessinger toda hora e tal. Muito fã de Engenheiros deixa qualquer indie no chinelo em termos de "se achar a última bolacha do pacote". Eles brigam entre si para ver quem é que sabe mais sobre o Humberto, quem entende melhor ele, quem tem a vida mais parecida com alguma situação cantada por Gessinger...Eu não consigo imaginar uma reunião de um fã clube da banda sem pensar na cena do dia D no filme O resgate do soldado ryan. Em show eu já fui: e nas duas vezes que eu tive a oportunidade de estar entre os seguidores de Gessinger pude ver que sempre tem um no meio que pensa que sabe mais que todo o resto. E faz questão de mostrar isso.
Mas deixando as engenheirettes um pouco de lado. Conversando com o Deodato esses dias, reclamávamos desses filósofos de subnick, gênios literários que inventam aforismos, poesias geniais de uma frase apenas (mas só porque tem limite de caracteres), máximas universais só para fazer pose para seus contatos. A gente tirou muito sarro disso. E se a gente tivesse tido a informação de um Gessinger Day, aposto que nós iriamos ter dado boas gargalhadas. Era um prato cheio para o bom humor.
Tinha um na minha lista de contatos que usava aquela: "no taxi que me trouxe até aqui (imagine qualquer músico, escritor, filósofo ou qualquer outra coisa aqui) me dava razão" só para dizer o que andava lendo, andava ouvindo...
No meu era: "no taxi que me trouxe até aqui o Molejão me dava razão". Fui insultado por isso por algumas pessoas.
Humberto que me perdoe. Gosto muito da sua música. Mas contra esses chatos, a ironia do Gessinger Day foi genial.
Saiba mais sobre o Gessinger Day aqui

- Escrito pelas 16h46,
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desunião da derrota.
Duas semanas atrás eu pensei em fazer um post em homenagem à minha querida cidade natal que estava de aniversário mas acabei não o fazendo. Faço agora então.Afinal, eu sempre falo (na maioria das vezes mal) dela aqui, mas se ela me dá tanta inspiração ela merece uma homenagem. Justo não?
Outra coisa que eu pensei é que quando eu falo das nossas cidade, eu sempre generalizo tudo em União da Vitória e esqueço Porto União. Para quem não sabe, União da Vitória e Porto União são duas cidades que são dividas apenas por uma linha férrea, de um lado Paraná, de outro Santa Catarina. Ou seja, se você tem uma boa abertura de pernas, pode estar em dois lugares ao mesmo tempo, derrubando as leis da física. Coisas improváveis que só essas cidades nos proporcionam.
Então. Eu falei de Porto União justamente porque uma das alternatividades de União da Vitória é ela comemorar o aniversário de outra cidade, no caso, sua vizinha catarinense. Deixa eu explicar:
Todos sabem que de início, essas duas cidades eram uma só: Porto da União, ou Porto União da Vitória. Com a Guerra do Contestado e a Questão de Limites, a cidade foi dividida em duas, uma para cada estado. Mas o que poucos sabem ou nunca pararam para imaginar é que, naquela época, o unico lado povoado era o de Porto União. As casas mais antigas, os prédios públicos, tudo ficava em Porto União (com exceção do lado do bairro São Cristóvão, terra do Cel. Amazonas).
Por isso que, quando as cidades foram dividas, foi construido o paço municipal de União da Vitória onde era o primeiro aeroporto da cidade (e de onde saiu o primeiro vôo em exercício militar da américa latina, e também o primeiro acidente aéreo da américa do sul). Esse lugar é a praça da FAFI hoje. Em volta dela vocês vêem os prédios do Serapião, das antigas prefeitura e câmara, a igreja, e veria também o Hotel Paraná, se ele não tivesse "pegado" fogo. E mais adiante, onde hoje é a câmara, o fórum. Afinal, eram essas coisas que uma cidade necessitava para constituir-se como tal: um prédio para os poderes legislativo e executivo, um judiciário, uma escola, um hotel para os visitantes, uma igreja e a delegacia
que era por ali (se eu não me engano).
Com a construção dessa praça criou-se uma nova cidade que se apropriou do aniversário da outra, que já tinha tudo isso pronto. Da divisão das cidades, o lado paranaense só tinha ficado com o aniversário mesmo, o resto teve que construir novo. Já a parte velha, agora Porto União, ficou mais "nova" oficialmente e ganhou um aniversário dois dias antes da independência, 5 de setembro. Graças a isso, quem estuda em Porto União (como eu estudei por muitos anos) ganha um feriado prolongado a mais, que dependendo dos dias da semana que caem as vezes viram uma semana de folga, graças aos recessos. Agora que estou no lado paranaense, já não tenho mais esse privilégio...
Então é basicamente isso. Parabéns União da Vitória pelo aniversário de Porto União: meu berço, minha terra amada e também odiada e, principalmente, minha prisão de onde eu nunca vou conseguir sair. Continue assim, sempre acrescentando maluquices à sua história, como essas que eu narrei acima.
- Escrito pelas 02h57,
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Ax(tch)é music não é cultura.
Todo ano a minha faculdade promove um evento chamado "Semana da Cultura" onde - apesar de sempre ter uma palestra motivacional idiota para agradar pedagogas mais idiotas ainda - sempre rolam umas palestras muito boas (que a maioria sai reclamando porque tem preguiça de pensar), shows, peças de teatro ou de dança, etc.
Aí nesse ano, chega o diretor na minha sala anunciando uma proposta feita por uma turma na faculdade, de se fazer no ultimo dia da "Semana da Cultura 2008" uma porra dum baile gaúcho num clube da cidade. Catzo! Que "cultura" é essa?
Ok. Música gaúcha é legal, tem muita coisa boa para se conhecer. Engraçado algumas pessoas dizendo às vezes que curtem sons do Nordeste, como o Cordel, e acham que estão ouvindo "o" som da nossa terra (não falando que o Cordel é ruim: eu acho muito foda); tá certo que o Brasil é um país imenso e riquíssimo culturalmente, mas eu acho uma coisa meio sem sentido a gente desconhecer (e falar mal) de coisas da nossa região enquanto endeusamos outras. O lance na minha opinião é conhecer de tudo, mas partindo do nosso.
A própria "Semana da Cultura" da FAFI já trouxe bons exemplos de música gaúcha: o show do Renato Borghetti por exemplo, foi um espetáculo pra calar qualquer metaleirinho fã do Dream Theater que só liga pra virtuosismo nas músicas. O outro cara do ano passado, só com um violãozinho, cantou músicas tradicionalistas (e também a música italiana) para a galera pirar (mas poucos foram naquele dia, pois era dia do último capítulo da novela das 8). Na festa da costela que a prefeitura pão-e-circo promoveu tinha César Oliveira e Rogério Melo, que também mereceiam ser mais conhecidos. Agora, baile de Tchê Músic, ou Axé com Gaita, não é cultura.
O problema é que essa gente que pediu o baile para a direção tem uma visão muito limitada de mundo. Isso é um mal da região, achar que o mundo acaba atrás do morro do cristo, numa cerca de tábua (até os que moram em cidades vizinhas pensam assim, com seus respectivos morros).
Ano passado por exemplo, rolou uma apresentação de dança indiana. Com explicações entre as danças, com cheiro de de incenso no Cine Ópera inteiro, e tal. O que a maioria fez? Deu risada. A galera não quer conhecer nada de novo, nenhuma cultura diferente, nem nada de porra nenhuma: querem se fechar nos seus mundinhos onde dança é o que o Kalena (grupo folclórico "ucraniano") faz, onde música são esses Tchês da vida, ou o que a globo nos empurra durante durante sua programação, e por ai vai...
E o mais preocupante em tudo é que essa gente vai sair da faculdade como professores. A galera que faz Uniguaçu, Face ou Unc tudo bem: podem continuar com suas faculdades imaginárias que não passam de continuação do ensino médio onde "o aluno faz a faculdade" (leia-se: professor cobrou demais da galera, vai pra rua) e respectivas mentalidades fechadas. Agora, a FAFI, que é uma instituição pública e séria, que tem mais de 90% do seu corpo docente a nível de mestrado e doutorado, não devia atender pedidos como esse dos humanos demasiados humanos, e sim tentar enfiar a força uma mentalidade diferente nessa gente, pois eles vão sair dali professores, formadores de opinião, educadores, e se não for dessa maneira só vão reproduzir o que o sistema quer e ponto final.
Ai que a gente entende porque tem tanto "créu", tanto calypso, zezé dicamargo ou atlético paranaense por ai...
- Escrito pelas 17h22,
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dica de orkut.
Mais uma inutilidade divertida do orkut. Mude seu país para Estônia, e veja os aplicativos exclusivos que o orkut disponibiliza para aquele país. Você pode adicionar músicas, filmes preferidos entre outras coisas. Só que você só pode visualizar esses recursos dos seus contatos e ter os seus visualizados pelos seus amigos se você mudar o seu país para a Estônia. É um caso onde a popularização de uma coisa é interessante.
Agora, eu ainda não entendi direito como usa essas paradas. Acho que meu pc é muito velho para esses recursos. Mas deve ser divertido quando se aprende como usar.
- Escrito pelas 17h16,
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premonição.
Toda cidade tem certos tipos de cidadãos excêntricos, loucos, pirados, como queiram os considerar. E em cidades pequenas como União da Vitória eles acabam virando figuras folclóricas por estarem em maior evidência. É o caso do Jacasô, do Treme-treme, do Peito de Bomba, do Nego do Pessegueiro, entre tantos outros.
Atualmente tem um maluco que anda pregando pelas ruas da cidade. Na verdade chamam ele de deputado, porque as paradas que ele fala nem sempre tem a ver com religião. É um erudito, isso sim. As coisas que ele fala até tem certo nexo e assuntos variados, e tem gente que disse que já viu ele agindo como um cara normal. Também dizem que o cara tem algumas passagens pela polícia, por coisas como roubo, desacato e até pela tentativa de agarrar uma menina uma vez.
Hoje eu decidi fazer um caminho diferente para ir para a faculdade e acabei cruzando com ele ali na Praça Visconde de Nácar, e nem dei bola. Já me acostumei a encontrar como ele com frequencia por ai. Só que aconteceu uma coisa bizarra dessa vez:
" - Você vai morrer!", disse ele. Nem dei bola, e prossegui caminhando. "- Você mesmo, senhor de cabelo comprido!" Opa, esse sou eu. " Você vai ter um ataque cardíaco senhor! Teu coração vai parar hoje à noite!".
Fiquei meio envergonhado, porque a galera que tava ali nas redondezas viu que era comigo a profecia do sujeito, e eu resolvi apelar para o humor: fiz um sinal de "jóinha" para o camarada e gritei "valeu cara! vou dormir no hospital hoje!", e continuei rindo. Só que agora eu fiquei preocupado.
Vai que eu morro mesmo daqui à pouco? Por via das dúvidas, deixo aqui o meu adeus a todos vocês. Obrigado a todos por de alguma maneira terem cruzado comigo nas malhas da existência. Continuem por mim, aproveitem por mim! E quem sabe no além finalmente eu consiga montar uma banda? Lennon e Harrison estão lá, eu assumo o contrabaixo e chamo o Keith Moon para as baquetas...Se a gente fizer algum sucesso, eu até venho guiar algum médium para psicografar nossas canções...e mais alguns posts para o blog. Seria um bom marketing para o ninguém josé ser "o blog da primeira pessoa que voltou para contar como é lá". Não concordam?
Sinissshhtro.
Bem. Se eu morrer, pelo menos prestem mais atenção nas coisas que o maluco fala. ELe pode estar certo.
- Escrito pelas 00h02,
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tipo um flashback de Lost
Domingo o Fantástico estreou um novo quadro, onde personalidades diversas vão tentar contar as histórias de suas vidas em 15 segundos. Para a estréia, eles fizeram uma matéria toda especial sobre como 15 segundos podem ser importantes, talvez até a ponto de mudar ou salvar vidas, relacionamentos, histórias, enfim. Vou hoje contar aqui como 15 segundos salvaram minha vida a uns anos atrás.
Ontem aconteceu um acidente sinistro a três quadras da minha casa. Uma garota (alguns dizem 20, outros dizem 30 anos) foi atropelada por um guincho, em plena hora do rush. Eu sempre achei babaquice por parte das pessoas que andam de bicicleta passar pelas ruas mais movimentadas da cidade no meio-dia ou às seis da tarde. Motorista sente-se sim dono da rua, mas a maioria desses ciclistas fazem muita merda. Se quem faz uso da "zica" como meio de transporte usasse ruas menos movimentadas, ou até empurrasse as suas "magrelas" nesses trechos movimentados, muitos acidentes desses seriam evitados.
A garota morreu, de modo bizarro: a roda do veiculo esmagou a sua cabeça, e a sujeira foi grande. Foi um carro de bombeiros com jato d'água limpar o que sobrou da cabeça e o sangue que tava espalhado por lá.
Mas se tem algo mais sinistro nessa história foi o local onde isso aconteceu. Na esquina na Rua Matos Costa (a minha rua) com a Prudente de Morais. Exatamente no mesmo lugar, e quando eu digo exatamente eu falo com toda a precisão, a uns 6 anos atrás, havia um certo garoto que, depois de ter ido treinar vôlei no seu colégio e de ter visitado alguns amigos, voltava para casa quando caiu de bicicleta e quebrou o braço. O garoto, é claro, era eu. No mesmo lugar onde essa moça morreu ontem, eu tive a famosa fratura exposta que me rendeu nove parafusos no braço.
O filme até hoje passa com muita clareza na minha mente: eu vinha andando de bicicleta um pouco à frente de um caminhão. O sinal dessa esquina fechou, e tanto eu quanto o caminhão paramos. Só que como uma bicicleta é mais simples que um carro ou outro veículo motorizado (e é justamente ai que mora a imprudência desses ciclistas) eu olhei, vi que não vinha nenhum carro da outra rua, e cruzei no sinal vermelho. Foi exatamente os metros que faltaram para a corrente da bicicleta cair, meu pé escapar do pedal e eu cair e quebrar o braço que foram os ultimos percorridos pela garota antes de ser atropelada e perder a vida.Eu lembro muito bem de, logo depois de ter caído, me preocupar com aquele caminhão e me levantar logo antes de ser atropelado, aí que eu me dei conta da minha fratura.
E se o sinal não tivesse fechado? E se eu tivesse caído com o caminhão vindo atrás de mim? Ele teria tido tempo de freiar? Qual é o tempo que dura para um sinal fechar? 1 minuto? 30 segundos? E se o acaso tivesse feito eu e o caminhão passar por ali uns 15 segundos antes do sinal fechar? São esses 15 segundos que me renderam uma fratura exposta bem feia no braço. hoje estou aqui escrevendo hoje, e ninguém precisou passar um jato d'água na rua para limpar meus miolos. Talvez se tivesse rolado uma parada dessa comigo, a guria que morreu ontem se tocasse que ruas movimentadas em horário de rush não tão seguras. Ou não.
Só espero que o pessoal que pedala na cidade agora tenha mais bom senso na escolha de seus trajetos, e na hora de pensar em fazer alguma cagada. Experiência própria de alguém que fez muita cagada pedalando.
- Escrito pelas 17h34,
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- Ver os textos que já foram pros arquivos.