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"Como vou querer que as pessoas entendam o que passa pela minha cabeça se nem mesmo eu entendo?"
- Dalí

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autobiografia musical não autorizada IV

Capítulo III - Meu violão.

Tenho um Giannini, já com status de velho de guerra, com história para contar, de mancha de vinho, sereno, adesivos, rachaduras, reformas (feitas por mim!), cordas de aço e de nylon até vestígios de quando eu escrevi nele com caneta hidrográfica: "THIS MACHINE KILLS FASCISTS" como no violão de um cara chamado Woody Guthrie, de quem o Zimmerman gostava muito. Depois de anos pirando com raquetes ou com um violão que tinha na casa da minha vó (um DiGiorgio, que ficava lá para os primos de Curitiba tocarem quando estavam aqui: entre as férias deles, as crianças da familia "brincavam" com ele. Ou seja: sempre que os primos vinham, eles tinham que trocar o encordoamento todo) meu pai finalmente decidiu investir no meu não-talento musical. Pois, ainda que no meu primeiro dia com ele eu já soubesse tocar a introdução de "Come as You Are" (acredite, tem gente que demora para aprender), no mesmo dia eu consegui estourar minha primeira corda, a sexta ou o mizão, a corda mais dificil de se estourar. Um sinal de que eu não teria futuro com aquilo? Tenho certeza disso.
Meu aprendizado teve suas alternatividades. Primeiro começou com esses cursos de violão de banca de revistas. A única coisa que eu aprendi com eles foi "Eu sei" do Legião Urbana, a primeira música que eu tirei. Depois, pasmem! Começei a aprender violão com nada mais nada menos que o curso do Instituto Universal Brasileiro! Se algum dia, no intervalo dos Simpsons quando ainda passava no SBT você viu a propaganda do Instituto e pensou: "quem seria idiota de fazer um curso desses?", ecce homo! Claro que o violão é inofensivo: se eu tivesse feito mecânica por exemplo, as estradas brasileiras estariam um pouco mais perigosas agora. E eu aprendi alguma coisa ou outra com o método deles; vinha a fita cassete junto com um cara explicando, mas ele tinha um jeitão desses tiozinhos zé graça que tocam música sertaneja em churrascarias de quinta categoria que eu tinha vergonha de que alguém da casa ou dos vizinhos me ouvisse escutando aquilo.
Aí papai resolveu abrir a mão e entrei numa aula e violão clássico e popular. Ai começa a minha primeira parceria músical, do tipo Lennon/McCartney com meu amigo Thiago, o Tirso. É que em dupla a mensalidade ficava mais barata, então a gente dividia o horário. E foi uma boa época. Para deixar de lado a depreciação que eu tenho feito das minhas qualidades musicais até então, eu posso afirmar que eu estava indo bem nas aulas e estava tocando legal...quem sabe eu até tivesse um futuro melhor hoje. Mas aconteceu de uma noite eu ter quebrado o braço, como eu já comentei antes, e eu acabei ficando alguns meses sem poder tocar. Eis então uma nova teoria para explicar o meu fracasso: Como eu tive uma fratura exposta dos dois ossos, com direito a duas cirurgias, 10 parafusos, dois pinos de platina e uma "raspagem" dos ossos para tirar o piche do asfalto que tinha ficado, nem o Dr. House conseguiria fazer meu braço ficar igual à antes. E se um dia você quiser ver a radiografia dele, poderá notar que a calcificação dos meus ossos ficou muito bizarra: parece que eu tenho bolas de pingue pongue feitas de ossos dentro do meu braço. O que isso tem a ver? Alguns movimentos dele, essenciais para tocar violão ficaram comprometidos, ainda que seja pouca coisa. Se isso realmente explica porque hoje eu sou tão ruim com um violão ou guitarra na mão eu não sei, mas é uma boa teoria para explicar meu fracasso no rock, não é? 

- Escrito pelas 11h05, .

sobre o grande Glen Hansard e meus chutes para o Oscar.


Glen, Marketa e o violão: cena bonita.

Apesar de ter virado motivo de piada entre alguns amigos por isso, eu curto muito uma banda chamada The Frames. A história é mais ou menos assim: um dia eu estava procurando no Ares versões covers da música "Love Will Tear Us Apart" do Joy Division e encontrei uma versão do Frames tocada ao vivo em um festival irlandês. Algum tempo depois, conversando com meu padrinho (uma espécie de guru intelectual e cultural para mim) descobri que ele, sempre antenado com o que tá rolando no velho continente, curtia também essa banda. Ele me indicou o disco Burn The Maps e o último, The Cost. Baixei ambos, e depois os outros: Fitzcarraldo, For The Birds, Dance The Devil e Set List (ao vivo). Acompanhando o site oficial deles ainda descobri que o líder da banda era ator (inclusive já tendo participado do The Commitments) e que neste ano estava lançando um novo filme, Once, em que ele estrelava com uma cantora tcheca chamada Marketa Irglova. Baixei também a trilha sonora desse filme, e infelizmente ainda não tive a oportunidade de ver o filme, que tem recebido boas críticas até onde eu li.

Glen Hansard e Marketa Irglova estão concorrendo no Oscar amanhã na categoria de melhor canção, com Falling Slowly (linda por sinal). Por isso, assista à cerimônia, veja o quanto é linda a música do grande Glen Hansard. É um cara que merece ser ouvido.
Aproveitando o espaço, deixo os meus chutes para o Oscar. Eu e alguns amigos entendidos de cinema costumamos fazer um bolãozinho. Eu sou café-com-leite, porque sou o que menos entende de cinema e quase nunca assisto os filmes concorrentes a tempo para a cerimônia. Logo, eu chuto, tomando o cuidado de dar uma pesquisada na opinião de outros cinéfilos na net. Porém, como fã dos irmãos Coen (O Grande Lebowski e E ai Meu Irmão, Cadê Você?), nesse ano vou chutar no filme deles (Onde Os Fracos Não Tem Vez) em tudo em que eles estão concorrendo, menos no de diretor. A única coisa do oscar de amanhã que eu realmente conheço é a grande canção de Glen Hansard. O resto eu chuto no nome que eu achar mais bonito.

Melhor Filme- Onde os Fracos Não Tem Vez.
Melhor direção - Paul Thomas Anderson (Sangue Negro) * mas torço pelos Coen
Melhor Ator - George Clooney (Conduta de Risco)
Melhor Atriz - Ellen Page (Juno) * apesar do lado indie que dizem que o filme tem
Ator Coadjuvante - Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez)
Atriz Coadjuvante - Cate Blanchett (Não Estou Lá) * afinal, ela interpreta ninguem menos que o Bob Dylan
Roteiro Original - Conduta de Risco = chute total
Roteiro Adaptado - Onde Os Fracos Não tem Vez
Filme Estrangeiro - Os Falsários, Áustria = chute total
Documentário- No End In Sight= chute total
Animação - Ratatouille * é o da Pixar? Se for, eles sempre ganham não é?
Fotografia - Onde os Fracos Não Têm Vez
Montagem - Onde Os Fracos Não tem Vez
Direção de Arte - Sangue Negro = chute total (nem sei o que é direção de arte)
Figurino - Across the Universe * todo filme relacionado com os Beatles nasce vencedor
Canção Original - Falling Slowly, do grande Glen Hansard e da Marketa Irglova
Maquiagem - Piratas do Caribe: No Fim do Mundo * ahá! finalmente um que eu assisti!
Efeitos Visuais - Piratas do Caribe
Edição de Som - Onde os fracos não tem vez
Mixagem de Som - Onde os fracos não tem vez

Sessão chutes na cega 100%
Documentário curta - Freeheld
curta-metragem- Tanghi Argentini * fala de tango? se for isso eu acharia legal
curta de animação - I Met the Walrus * Walrus, I am The Walrus...saca? só por isso.

- Escrito pelas 23h22, .

madrugada cheia de plim-plim's

Para quem vai ficar em casa na madrugada de hoje, seja qual for o motivo (tipo, economizar grana para gastar no show do Maiden), e para quem gosta de ótimos filmes em suas maravilhosas versões dubladas para a tevê (ou tem preguiça de usar a função SAP) duas boas dicas:

00:35 - O Show de Truman


2:20 - Spartacus
(o do Kubrick)

- Escrito pelas 14h54, .

refletindo.

Se o meu país tivesse uma educação pública de qualidade, saúde pública da mesma maneira, além de ser referência mundial; se a expectativa de vida do meu povo fosse igual ao de países mega-desenvolvidos como a Dinamarca. Se mesmo com a grande miséria (imposta de fora) o meu povo fosse culto e se o grande acontecimento de sua história fosse liderado por dois dos maiores mitos da história do último século, eu nem ligaria se meu país fosse autoritário e não tivesse liberdade de imprensa.
No Brasil temos liberdade de imprensa e o que fazemos com ela? Falamos de futebol, de carnaval, de novela e da vida dos famosos. Adianta alguma coisa?
Num Brasil tão corrupto e tão podre, onde a gente tem contato com tanta merda (vide rádio, tv...), onde há um povo tão ignorante, medíocre e burro eu até gostaria de censura e de forte repressão.
Num passado não tão distante tivemos tudo isso. Mas naquela época os censurados eram gênios como Chico Buarque, Caetano Veloso e tantos outros. E aquela ditadura servia a minoria, não a maioria.

Fidel está certo. A história o absolverá. E enquanto isso, no Brasil...

obs- Concordo com a afirmação de que chamar o regime cubano de ditadura é um erro.
obs- o blog parece estar de volta. perdão pelo tempo sem postar, e vamos em frente.

 

- Escrito pelas 11h54, .

pessoas ridículas

O que leva uma pessoa a criar um fake de mulher só para xingar o dono de uma comunidade?

O que leva a mesma pessoa a criar outro fake, para se fazer passar pelo mesmo dono de comunidade citado acima, em outra comunidade?

O que leva o mesmo criador de fakes a entrar em chats de sexo e passar para os outros o msn da ex-namorada que lhe deu um pé na bunda?

O que leva uma pessoa que se acha tão literariamente superior entrar no meu blog, e se dar ao trabalho de ficar vasculhando erros de português só para comentar como "corretor ortográfico"?

Errando ou não esse blog tem em média 350 visitas semanais, 7 leitores de rss e um monte de gente que vive acompanhando e gostando (mesmo com erros de português) das bobeiras que eu escrevo aqui. E no teu blog, quem entra?

E qual é a resposta das perguntas acima, caro leitor?

Inveja? Querer chamar a atenção? Problemas mentais? Pedir para apanhar? Falta de mulher (no caso do msn da ex-namorada)?

Você é doente cara. Gaste seu tempo com alguma coisa mais produtiva do que ficar provocando a mim ou a outras pessoas de quem você não gosta. Aproveite o mesmo tempo para escrever suas poesias geniais, para correr atrás de mulher ou ficar em casa se masturbando. Aprenda a comer de boca fechada, a fazer seu próprio prato ou procure alguém que lhe dê uma dedada. Aprenda a não virar motivo de piada entre os circulos sociais em que você convive e faça amigos verdadeiros ou que não te tratem como "o cachorrinho da turma". Faça o que você quiser. Só não encha o saco de quem está quieto. Ou você vai se arrepender...

- Escrito pelas 13h55, .

autobiografia músical não-autorizada III

Capítulo II - A Banda Marcial.

Minha primeira experiência musical de verdade acabou sendo com a Banda Marcial do Colégio São José. E existem histórias engraçadas dessa época, contadas em tópicos.

-Primeiro, o instrumento. Como eu entrei logo no começo da banda (a primeira turma), haveria num dia x a escolha dos instrumentos. Eu queria muito tocar flugelhorn, um parente do trompete, mas com um som mais aveludado. Acontece que nesse dia eu me esqueci de que estava na banda e não fui. Só me sobrou então o euphonium, popularmente conhecido como bombardino, que acabou tornando-se minha arma de guerra durante a minha participação naquela banda.

- Eu até tocava razoavelmente bem, mas haviam muitos trechos em que eu não tinha agilidade para tocar. Então, na maioria das músicas tinha uma parte ou outra em que eu simplesmente não tocava; só fingia.

- Na verdade, a banda durante muito tempo foi uma desculpa para mim jogar betes no colégio. Era comum ouvir no colégio gritos de "Zéééééé, é pra ensaiar!" vindo do cara que mandava na banda (eu ficava jogando com o pessoal da percussão, que basicamente não precisava tirar as músicas).

- O grande momento de quem toca numa banda dessas é o desfile de sete de setembro. Mas mesmo ficando um tempo razoável na banda, eu nunca participei dessa festividade. Num ano o colégio não participou, no outro choveu e o desfile foi cancelado...

- Outras grandes apresentações que merecem ser citadas: no cine luz, o cine ópera, no aliança, na cerimônia de hasteamento da bandeira na praça hercílio luz, em aberturas de joguinhos e nas cidades do interior, fazendo sets "de natal".

- Aliás, dois episódios de apresentações de natal. Numa eu passei mal e quase desmaiei (pense naquelas roupas de veludo num calor do diabo). Depois disso, fui tratado como um rei pelas mães que acompanhavam a banda, pelo chefe da banda e pelas meninas mais velhas do corpo coreográfico (groupies? que nada!). Pelo menos ganhei refrigerante e comida. Noutra, ganhamos do prefeito de Paul Freitas um jantar na faixa numa churrascaria de BR. Ai sim eu conheci pela primeira vez os privilégios de estar no mundo do showbusiness.

- Minha atuação na banda, assim como no violão, foi prejudicada na ocasião em que eu quebrei meu braço e fiquei um bom tempo sem tocar (violão ou bombardino). O violão eu ainda continuei depois, mas deixei de ser uma promessa do mundo da música, como explicarei em outra oportunidade. Já a banda foi mais complicada pois éramos uma turma que começou junta e evoluía junta, e como eu parei no tempo durante minha recuperação, acabei ficando para trás. Depois de recuperado eu até voltei para a banda, mas ai era tarde demais. Saí da banda e ainda arriscaria uma ultima tentativa, quando eu cheguei até a voltar às apresentações em público. Mas não durou muito, e assim se encerrava a fase "bombardino" da minha não-carreira. Eu achava na época que o futuro estava no violão e o que eu queria era rock. O resultado disso hoje? Rir para não chorar.

- Escrito pelas 03h36, .

Rafael Bittencourt em União da Vitória

Rafael Bittencourt, guitarrista da banda de metal melódico Angra, estará em União da Vitória neste sábado, dia 16/02, fazendo um workshop e uma apresentação acústica no Cabelo Rock Bar, situado na rua Dário Bordin, próximo a rodoviária de União da Vitória.
Muito além de metal melódico, o Rafael Bittencourt tem grande conhecimento e formação superior musical (trocando em miudos: manja do troço e toca pra caralho). E para quem não sabe o que é um workshop, trata-se de uma apresentação onde o artista não só toca, mas explica um pouco da sua técnica, seu processo de composição, suas influências, etc. Como se fosse uma aula. Mas por ser num bar acredito que o cara explique menos e toque mais, até pelo fato da platéia não ser formada na sua maioria por músicos, como acontece em workshops.

A abertura do show fica a cargo da banda Mistral, e provavelmente depois da apresentação o Rafael toque algumas músicas junto com eles.

Sábado, às 23hrs. Ingressos limitados na Toca do Rock, na barraquinha em frente ao executive center ou no Cabelo Tatoo Studio a R$10,00. 

- Escrito pelas 18h28, .

autobiografia musical não autorizada II

Capítulo I - Os anos da Raquete.

Logo depois de ser forçado a abandonar a dança dos palhaços eu descobri o rock e o meu destino foi adorar essa merda mas  não ter capacidade nenhuma para ela, além de simplesmente ouvir. Diferente de hoje, eu era uma criança criativa naquela época. Inventava bandas imaginárias para mim, fazia capas de cd's, shows com set-lists de covers bem elaborados e gravados em fita cassete (para não ficar trocando de cd durante o "show"); as bandas tinham histórias, faziam turnês, e eu até desenhava o palco com luzes e caixas de som...é uma porra de uma coisa de autista, mas eu era uma criança pobre e sem muitos amigos tá ligado? Eu tinha que canali\ar minhas energias em alguma coisa além dos meus memoráveis campeonatos de futebol de botão onde eu jogava contra mim mesmo.
E meu instrumento de guerra, minha guitarra, era uma raquete de tênis. Duas na verdade. Deixa eu explicar:
Uma era de plástico, a que eu usava mais. Era tipo a minha Fender, ou a minha Gibson. Mas meu irmão tinha uma raquete foda de tênis, e quando ele saia de casa e rolava uma chance eu pegava ela escondido. Ela sim era a minha Rickenbacker ou uma Gretsch no melhor estilo George Harrison (sim, eu ouço eles desde aquele tempo).

Aliás, uma vez eu dei um autografo imaginário no encarte de um cd que eu tinha e que uns tempos depois eu vendi. Até hoje eu não tenho certeza se eu rabisquei aquela parada. Se não, o cara que comprou o cd deve estar rindo até hoje.

Outra coisa sensacional dos anos da raquete foi proporcionada pelo meu maior inimigo de todos os tempos: meu irmão. Pra começo de conversa, quem brincava com raquetes imitando guitarras antes de mim era ele e um primo nosso. Mesmo assim, um dia ele abriu a porta do meu quarto, e me viu todo empolgado fazendo algum solo do Somewhere In Time e logo espalhou para a casa inteira (tinha amigos dele na minha casa). Virei piada, e fiquei tão brabo que pela primeira vez tive meu ataque de rock star: quebrei tudo no meu quarto. Sério. Dei raquetada em tudo que eu vi: carrinhos, outros brinquedos, espelho...ao melhor estilo Pete Townshend (que eu já conhecia naquela época).

Ok. Naquele momento eu já estava velho demais para brincar de air guitar com uma raquete. Foi quando meu pai resolveu comprar meu violão (eu já pedia faz tempo). Mas antes disso, o próximo capítulo vai tratar de uma experiência musical que eu tive antes de ganhar meu poderoso e rodado violão: a Banda Marcial do Colégio São José.

 

A minha "Rickenbacker", dentro de seu "case"

- Escrito pelas 23h10, .

autobiografia musical não-autorizada.

Apresentação.

Apesar de muitos não acreditarem e outros me tirarem sarro por eu nunca ter tido uma banda, a minha vida musical dá uma história bastante extensa. Talvez ela não tenha se materializado em bandas de verdade (quase todas as bandas que eu tive duraram apenas um ensaio) ou feito sucesso algum. Mas ela é no mínimo bem alternativa e engraçada, e agora, estando eu num momento onde eu desisti de fazer música e ter ao menos uma banda de garagem, vou revisar a minha trajetória músical numa série de posts contando as fases da minha não-carreira e (por incrível que pareça) shows ou apresentações em público memoráveis, sejam eles reais ou imaginários (mais tarde você entederá).

Introdução - Zé, o dançarino.

Antes de me iniciar na narrativa sobre a bizarrice que foi a minha não-carreira musical, convém revelar ao mundo que a principio eu não fazia música em sí: eu dançava. Isso mesmo. Deixa eu explicar:
Nos meus três ou quatro anos, minha mamãe comprou para mim uma fita cassete de uns palhaços dos quais eu não lembro o nome, mas que cantavam essas músicas que palhaços geralmente costumavam cantar, quando o seu público eram as crianças (na época em que as crianças ainda se interessavam por palhaços). Tinha uma música em especial, que eu não lembro o nome mas que eu adorava e tinha uma coreografia toda trabalhada que terminava num majestoso salto acrobático (nas limitações do físico de um garotinho de 3 ou 4 anos) em cima do sofá da sala, onde minha mãe me assistia e me esperava para brincar comigo. Grande época foi essa, quando eu dançava a música dos palhaços!
No fim dessa fase eu já usava um brinquedo que foi da minha irmã, o microfone da xuxa (aquele que tinha cabelinhos e um narizinho vermelho que acendia), e já arriscava uns lances vocais além da dança. Mas tudo isso terminou quando a empregada (a mesma que me fez gostar de café preto na marra) roubou coisas da casa, incluindo o microfone e a fita dos palhaços. Na verdade, até hoje eu não entendo o que aquela moça pretendia fazer com uma fita infantil e um briquedo bobo. Sabotagem da minha carreira promissora? Talvez. Analisando friamente hoje, quase duas décadas depois, vejo que essa moça me fez um favor. Talvez se eu continuasse com a fita e o brinquedo hoje eu estivesse no Bolshoi ou quem sabe num RBD cover. Mesmo assim, perder aquela fita foi realmente um choque para o pequeno José e até hoje eu fico meio triste de lembrar dela. Eu realmente senti falta daquela fita dos palhacinhos, pois era uma grande diversão entre eu e minha amada mãe. Naquele momento, sem as fitas, eu tive que me virar de outro jeito para liberar toda a não-criatividade musical que havia dentro de mim. Iniciava-se então a minha vida musical propriamente dita com os Anos da Raquete, que vão ser contados no próximo capítulo dessa odisséia, no próximo post.

- Escrito pelas 22h52, .

publicidade.

Para os que costumam entrar aqui faz tempo e não conhecem muitos outros blogs: esse aqui foi citado no podcast do Felipe e do Ronald Rios: Séries no Brasil, que trata das séries que passam na tv aberta e tal. Foi só uma notinha no fim do programa, só porque eu enviei uma música para eles usarem na trilha.

Para os que não conheciam aqui, souberam pelo podcast e possuem ou visitam outros blogs: não percam seu tempo lendo os posts abaixo. Não é bom. Apesar d'eu sempre escrever alguma coisa aqui, sempre me deixa incomodado pensar na possibilidade de pessoas que eu não conheço leiam o que eu escrevo aqui. E as que eu conheço também.

Deu pra entender?

 

- Escrito pelas 17h27, .

vai passar

Primeiro -Algumas semanas atrás eu estava numa loja "de rock" aqui na cidade quando chega um cidadão, bastante conhecido entre os roqueiros da cidade, principalmente entre o pessoal "from hell". Ai o papo entre o dono da loja e nosso personagem extreme brutal metal era sobre os "falsos roqueiros" que vão no clube pular carnaval, ao invés de assumir a causa do movimento e ficar fazendo alguma coisa from hell durante esses cinco dias. Eu só dei aquela risada interna e nem dei bola (antigamenteeu até tentaria argumentar com eles).

Segundo - Eu realmente odeio essa mentalidade de carnaval uniãovitoriense. Essa coisa de "entrar no bloco" e fazer questão de dizer para todo mundo, de fazer contagem regressiva pro carnaval na mensagem pessoal do msn e tal. Do jeito de agir dessas pessoas, e por ai vai...

Terceiro - Eu já citei aqui a história de uma ex-colega de colégio que era das mais patricinhas, das mais fúteis, e que hoje se acha a indie que entende de cinema, de literatura, bebe café e odeia Porto União & União da Vitória - cidade de gente fútil e de uma sociedade mediocre em busca de status e blá blá blá - nas palavras dela.

E por ultimo, eu, tentando me situar nesse meio termo. Eu não curto as pessoas que frequentam carnaval aqui, mas acho uma festa legal pra caramba. Não é uma festa brasileira, como muita gente pensa, e até aquele carnaval do Rio é interessante se você for analisar historicamente, quando as escolas de samba ainda eram um instrumento de expressão cultural de camadas pobres e marginalizadas da socidade (um pouco sobre isso pode ser encontrado no primeiro capítulo da minha gloriosa monografia sobre o samba do Chico), e não essa coisa que é hoje, com enredos encomendados e com ex-bbb's mostrando os peitos em rede nacional. Gosto de sambas antigos, gosto daquele enredos antigos de escola de samba (principalmente os que a Império, torcida do Coxa, fez paródia com letra insultando os porcos) e principalmente: gosto das marchinhas. Gosto de sair beber e me me divertir 5 dias consecutivos e quando eu for um trabalhador de verdade eu vou curtir ainda mais essa folga.

O que eu não gosto é do axé. Adestramento para macacos, segundo o baiano Marcelo Nova. E não gosto do povo de União que vai em bloco. E acredito que um dia eu faça uma viagem no carnaval para conhecer algum lugar que tenha um carnaval mais roots, tipo Pernambuco. Gosto e não gosto de carnaval. Só não quero parecer como minha ex-colega que, fala de Godard, de café, de Mario Quintana et all, e fala mal do povo de União da Vitória mas entra em bloco e age igual as pessoas que ela supostamente critica.

Foda-se também. Vamos beber. Na rua, no clube ou no bar dos roqueiros from hell.  Um brinde! 

- Escrito pelas 22h48, .

- Ver os textos que já foram pros arquivos.