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"Como vou querer que as pessoas entendam o que passa pela minha cabeça se nem mesmo eu entendo?"
- Dalí

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brasileiros-pocotó parte final.

Não importa se você tem doutorado, pós-doutorado, trabalhos escritos e respeitados em todo o país ou se você é requisitado para dar conferências em São Paulo, Rio de Janeiro, Portugal, Espanha, Alemanha, Suécia ou União da Vitória. Não importa se você dá uma palestra espetacular e numa linguagem acessível para todo mundo. Não importa se você é um intelectual com todo esse currículo, mas fala como se fosse um de nós, faz piada e fala até de futebol.

Grande parte da audiência só vai rir, porque você tem um sotaque diferente (como se o sotaque leitê quentê fosse a coisa mais linda do mundo).

- Escrito pelas 21h51, .

brasileiros-pocotó parte II

Tá mais do que provado...mesmo. Não adianta dar pérolas para porcos. Para quem gosta de merda, o jeito é dar merda mesmo. Se ontem eu tava reclamando da porcaria que foi a tal "palestra motivacional" e do comportamento de "macacas de auditório" dos universitários e futuros professores da FAFI hoje a reclamação é só dessas pessoinhas mesmo.
Porque diferente de ontem, a programação de hoje estava ótima. Uma ótima palestra com um professor e escritor sobre ética e moral na nossa política. Assunto que é atual no Brasil desde 1500 e que a cada dia que passa torna-se mais indignante, com tantas filhadaputagens protagonizadas pelos nossos "representantes" em Brasília. Mas agora fica a pergunta: quem acha que os acadêmicos futuros professores da FAFI se importaram com a palestra levanta a mão! (no maior clima de motivação). Claro que não. Preferiram seguir a risca os conselhos do tal "palestrante guitarrista e motivador" de ontem e ficaram abraçando quem tava no lado e conversando, e rindo muito! E todos eles serão um dia professores, que educarão nossos filhos e vão ajudar a sustentar esse sistema que está impune e a aparenta não ter solução justamente pelo povo não ter a consciência política que pode muito bem (e deve) ser aprendida na escola. Dá para entender o círculo vicioso nisso tudo?

Ah! Teve o Blindagem depois. Muito legal. Tá certo que foi mais ou menos a décima quinta vez que eu vi eles ao vivo, mas hoje rolou musicas que até então eu nunca tinha visto ao vivo. E eu faço uma pergunta: o povo se comportou? Digamos que quase sim. Com a exceção de três gurias  (quatro se contar o viadinho que estava com elas) que resolveram fazer coreografias e trenzinhos, ainda mais na "Oração de um Suicida", escrita por ninguém mais ninguém menos que o poeta Paulo Leminski (e eu não me surpreenderia se aquelas meninas fossem de letras: literatura não deve ser o forte da maioria lá).

Para coroar tudo isso, um amigo meu conseguir ouvir um depoimento muito interessante entre as pessoas que estavam saindo do teatro: "- Hoje tava uma merda. O pessoal só veio pelo Blindagem. Ontem sim que tava legal".

Histórias que só a Semana da Cultura nos proporcionam.

- Escrito pelas 23h13, .

brasileiros-pocotó

Já está mais do que provado. Na vida, só não ganha dinheiro quem não quer. Esse mundo é dos espertos, dos que manjam do "jeitinho", dos que sabem como enganar e/ou fazer os outros de idiota. Burros mesmo somos nós, que insistimos em tentar fazer alguma coisa relevante na vida, pelos tortuosos meios do esforço e da paciência. E seremos pobres para sempre desse jeito. Talvez pobres mais inteligentes e esclarecidos e conseqüentemente mais indignados com a natureza humana desprezível. Já os espertos sabem usar a burrice dos outros a favor. A gente não.
Por exemplo esses caras que tem por profissão ser "palestrante". Vi um hoje a noite (aliás, uma vez por ano sou obrigado a ver um canalha desses na Semana da "Cultura" da minha faculdade) um desses palestrantes. Como é fácil ganhar dinheiro sendo "palestrante"! Saí do Ópera hoje pensando seriamente em trabalhar o meu lado tímido e medroso ao falar em público e sair pelo mundo fazendo essas cretinices.
A fórmula é muito simples. Primeiro de tudo, ler todas essas porcarias de auto-ajuda que a gente encontra fácil por ai (revistas da Avon, lojas de conveniência de postos de gasolina, bancas de revistas ou lista dos mais vendidos da Veja). Merdas do tipo "Quem mexeu no meu queijo?", "O Monge e o Executivo", "Sete pessoas que você encontra no céu" ou qualquer um do Paulo Coelho. Essas porcarias de PowerPoint que entopem nosso email todos os dias também servem. É preciso montar uma fala que seja engraçadinha e emocionante.
Aliás, um domínio básico de PowerPoint é preciso, para montar a apresentação. E ela deve estar cheia de fotos fofinhas de nenês, de bichinhos lindinhos e outras coisas engraçadas, para criar o elemento cômico. E piadas são muito importantes. Deve-se fazer piadas a todo momento (sem esquecer que sua própria palestra é uma piada), inclusive contando piadas como se realmente tivessem acontecido com você na sua vida. A platéia vai adorar. E não é machismo não, mas as mulheres são as que mais vão gostar da sua apresentação: por isso, fazer piadinhas que mostrem que a mulher é superior ao homem transformam o palestrante no herói delas.  Músicas também são importantes, então é recomendável o abuso delas: fazer a platéia dançar, bater palmas, ficar de pé, gritar. Tudo é valido.
Porém, o mercado de palestrantes ja produz excedentes, então para se chegar ao topo é preciso ter um diferencial. O cara do ano passado, por exemplo, fazia mágicas no meio da palestra, que remetiam ao "tema" dela. O cara de hoje tocava guitarra. Coisas simples, mas que para uma maioria que não toca instrumento musical algum parece ser o máximo. Inclusive, assassinar músicas: o cara conseguiu fazer uma paródia de Another Brick In The Wall ptII, musica que critica o sistema educacional inglês, numa música que fala o quanto a educação é importante e maravilhosa e cor-de-rosa, e etc. Para uma pessoa minimante esclarecida, um paradoxo gritante; para os desinformados: "Nossa! Que show!".
O pior nisso tudo é ver que uma platéia universitária, que supõe-se ter um senso crítico um pouco mais apurado, comportar-se como verdadeiras macacas de auditório numa bobagem como essa palestra de hoje. E ver que uma perda de tempo dessas faz parte de um evento que tem "Cultura" no nome. E perda de dinheiro também: não é qualquer dinheiro que paga esses adestradores metidos a palestrantes. Com o cachê dum cara desses, poderia-se muito bem proporcionar ao público inúmeras outras atrações condizentes com  a "cultura" que está presente no nome do evento. Mas será que essa platéia realmente quer cultura? Ou o que será que elas julgam ser cultura?
O mais assustador nisso tudo é perceber que cada uma das mais de mil pessoas que estavam lá serão um dia professores...e formadores de opinião. Agora vamos lá leitores! As meninas lêem a primeira linha, e os meninos a segunda. Agora vamos cantar! Primeiro o lado esquerdo, depois o direto. Agora só as virgens! Oêêêê! Quem quer dinheiro????

- Escrito pelas 22h24, .

quatro.

                                               

                               Jonhnny Ramone: "- one, two, three, four!"

 

O melhor disco do Los Hermanos é o 4
O melhor disco do Led Zeppelin é o 4
Os Beatles eram quatro, ou o Fab Four

Meu nome tem quatro letras
O dela também...

4 anos.
1640 dias.
35040 horas
2102400 minutos
126144000 segundos
              Resumidos em
                     Quatro letras:
                                   Amor.

 

Há quatro anos atrás eu estava voltando de Curitiba para União depois de ter perdido a chance de, no mesmo dia ver Deep Purple, Sepultura e Hellacopters. Cheguei em União e chamei ela para ir ao cinema. Antes das luzes se apagarem, pedi ela em namoro. O nome do filme eu não sei qual era, mas ela deve saber. Ela presta mais atenção nesses detalhes românticos. Eu só queria saber era dela.

Eu conheci ela ainda na pré-escola, em 1991. Aliás, tem uma foto da turma que a gente tá lado a lado. Parece que eu to querendo evitar ela, com a mão no rosto até, enquanto ela me olha. Ela sempre fica brava quando vê essa foto, mas a verdade é que eu só queria cobrir o sol no meu rosto.
Saímos da pré-escola e fomos para o mesmo colégio, o São José. Mas ela foi para a turma A, e eu para a B. De 94 a 2003 a gente só se via eventualmente. Foi quando ela veio estudar na minha sala. O resto já se sabe.

Parabéns para nós La. Eu aqui e você ai. Eita!

 

- Escrito pelas 13h35, .

fecho usado em roupas, bolsas, etc..com dentes que servem para abrir e fechar

Foi um grande dia aquele. O ano era 2003, quatro anos atrás. O quente na cidade era o Oxx, o Beer House, ou os clubes, não lembro direito (mas era algum lugar que hoje já está fechado). Fui naquele ano passar uns dias com o meu padrinho, o cara mais legal que eu conheço, na capital do estado. Naquela semana eu vi o Coxa ganhar de 6x0 do Paranavaí, fui no Taco El Pancho (ali na Batel, ao lado do Peggy Sue, outro lugar emocionante de se conhecer) apreciar comida mexicana e beber Guinness e fui num aniversário com o padrinho e a esposa dele. E o combinado era, depois desse aniversário, se encontrar com o irmão do padrinho, meu primo, num barzinho bacana, chamado Empório São Francisco. Dizia meu padrinho que eu ia curtir bastante a banda da noite, e meus outros primos falaram que se eu gostava do The Who (sim, desde 2003) eu ia adorar o som dos caras.
O lugar, apesar de ser bem barato (acho que uns 10 reais, com consumação) tinha só gente normal: nada de pelegada, nem de playboy. Pegamos uma mesa e começamos a tomar cerveja e conversar, enquanto rolava num telão um show dos Velhas Virgens. De repente, chegou os caras da tal banda: ternos, costeletas..aquela coisa toda.
Depois de conversar normalmente com algumas pessoas, os caras começaram a tocar. Músicas próprias, som realmente muito bom. Dois covers dos Beatles (sim, eu já gostava deles em 2003, e já fazia anos que eu gostava deles em 2003) Drive My Car e A Hard Day's Night me fizeram gostar ainda mais do show dos caras. Sem falar que foi muito engraçado: na contagem de tempo para entrar nas músicas, o baterista dava uns gritos engraçados. Durante o show o cara bebia muito, e a banqueta dele uma hora quebrou, fazendo-o despencar no meio da música, se eu não me engano uma do Dick Dale. O baixista conseguiu estourar a corda mi do baixo, a mais difícil. Tudo isso no meio do show.
Indo embora, escutei com o primo no carro a primeira demo deles, lançada num cd com bandas de Curitiba. Isso em 2003.
Logo depois que eu voltei para União, comecei a fazer propaganda da banda para amigos, principalmente para quem morava em Curitiba ou ia freqüentemente para lá. Uns tempos depois, a Gazeta do Povo lançou uma série de cds com bandas do Paraná, e lá estava eles com uma música. Escutei o cd até furar, e alguém me roubar. Acompanhava matérias dos caras quando passam no plug da rpc e vi eles ao vivo em outras oportunidades.

Só que, de uns tempos para cá, essas novas bandas que fazem no estilo referência aos anos 60 roubaram o lugar das boy-bands dois anos 90 na preferência das aborrecentes. E aqui na cidade, como não poderia ser diferente, agora pipocam por ai menininhas que gostam dos caras com a mesma devoção que as minhas colegas na época do São José dedicavam aos Backstreet Boys ou ao N'Sync. E agora deram para ser pseudo-beatlemaníacas, que se pseudo-descabelam pelo beatle John só porque a música manda...Claro que isso logo passa, como qualquer modinha. Mas o problema é que isso fez perder toda a graça em gostar daquela banda, que eu já ouço desde 2003. E é indignante ter que dividir preferências musicais com qualquer gentalha.  Por isso que, uma das bandas que eu mais escuto ultimamente tem, na sua maior comunidade do orkut, apenas seis membros. Por enquanto...

- Escrito pelas 15h47, .

back in black

A morte, seja ela em tragédias noticiadas no país (como os acidentes aéreos) e no mundo, ou prematura que leva do nosso convívio alguns jovens, seja por algum acidente, doença (o que é mais raro) ou suicídio (que é o assunto do momento no planeta União da Vitória) é sempre pretexto para muitas pessoas deixarem explícito para quem quiser ver o quanto elas são idiotas. É tudo culpa do cara que inventou o Orkut ou de quem resolveu popularizar ele entre essa gente infeliz que é o povão brasileiro.
Na verdade, isso sempre aconteceu. Mas acontece que, com a internet (e não só o orkut, mas o msn também) essa coisa fica mais evidente porque se antes a gente ocupava nosso tempo com coisas mais produtivas, agora a gente fica preso nesse mundinho azul idiota mas viciante que é o orkut. E assim sendo, estamos mais sujeito a entrar em contato com toda a mediocridade que as pessoas mostram, nas suas incessantes buscas por...aparecer.
Para ser mais claro e direto. Toda vez que morre alguém, as pessoas vão atrás disso, literalmente como urubus atrás de carne morta. Primeiro procuram o perfil do orkut do(a) falecido(a). Deixam lá mensagens de apoio, de “vá com deus”, de saudades que, com certeza, o defunto não vai ler. Mas outras pessoas vão ler. Por de mais malgosto que seja afirmar isso aqui, a verdade é que as nossas mortes sempre nos dão uns 15 minutos de fama. Se eu sair na rua hoje, provavelmente ninguém vai me dar bola; mas se eu escorrego numa casca de banana e bato a cabeça no meio fio amanhã todo mundo saberá quem é José Such. E no meu orkut todo mundo vai deixar scrap me desejando todas aquelas coisas. Mas é verdade é que ninguém liga para o falecido: as pessoas querem que as outras pessoas leiam o que você escreveu. Todas as pessoas, menos a que morreu. Simples assim.
O próximo passo é falar nas comunidades o quanto o falecido era seu amigo. Um dia antes de sua morte, era só mais um. Quando morre, vira o amigão de todo mundo. Todo mundo tem uma história legal para contar da convivência. Engraçado que nenhuma dessas pessoas chegou para essa pessoa que morreu, uma semana antes do seu falecimento, e falou pessoalmente para ela o quanto a amizade dela era importante. No caso de suicídios, como é o que ocorreu ontem aqui na cidade, essas pessoas que hoje se dizem tão enlutadas pela perda de um “amigo” poderiam ter salvo sua vida. Logo, não demora para aparecer uma comunidade no orkut destinada ao falecido. Lá, todas essas pessoas vão competir para ver quem era “mais amigo” do falecido. O mais engraçado disso é que, nenhuma dessas pessoas nem vai se dar ao trabalho de acompanhar os serviços funerários do “amigo” muito menos prestar algum tipo de conforto aos familiares. Afinal, isso não interessa, isso não trás ibope.
Por no perfil então, uma imagem enegrecida com algum dizer sobre luto, ou a famosa fitinha preta também. Que coisa retardada. Quando a gente realmente está triste pela perda de alguma pessoa próxima, a ultima coisa que a gente vai se preocupar realmente é em entrar na internet, quanto mais se dar ao trabalho de se dizer em luto. Quando o avião da TAM explodiu e morreu toda aquela gente, tinha até pessoas da cidade enlutadas com a tragédia. Pra quê isso, alguém me responda? Qual é a finalidade disso, além de simplesmente ter mais um motivo aparecer? Respeito pelos mortos e suas famílias? Balela! Eu considero isso mais falta de respeito do que respeito em si.
E quando alguém coloca aquele trecho de música: “é estranho, os bons sempre morrem jovens... e blá blá blá” é para acabar. Então quer dizer que, você só é bom se morrer antes dos 30? Isso sempre me lembra daqueles filhinhos de papai que foram correr na BR e acabaram mortos num acidente. Uma semana antes, um deles estava envolvido naquela história dos jovens que estavam soltando bombas caseiras pela cidade. Na noite de sua morte, estava em alta velocidade num local que, apesar de ser uma rodovia, tem um hospital e muitas casas. Colocou um monte de gente em perigo, podia ter prejudicado um monte de gente, mas porque era rico, popular e bateu o carro zero que tinha acabado de ganhar do papai ele vira bonzinho? Então eu, que não tenho carro, não saio fazendo merda por ai e fico em casa estudando de madrugada, para ser um bom professor um dia e contribuir dessa maneira para a sociedade sou o malvado? Se eu cuidar da minha saúde, morrer velhinho aos 80 numa cama quente e confortável, eu sou ruim?

Respeito a morte do xaropinho, que trabalhava no Bar do Jonas. Comprei bebida com ele diversas vezes, e em outras oportunidades bebi ali mesmo e por ele fui atendido. Já conversei com ele e dei risada. Respeito o verdadeiro luto que estão sentido sua família (que eu não conheço) e seus verdadeiros amigos. Ele deve ser sempre lembrado pela pessoa que foi. Mas não vou compartilhar da hipocrisia de muitos de agora dizer que o cara era o meu melhor amigo. E estou aqui mostrando o quão nojento eu considero a atitude das pessoas hipócritas que assim o fazem. Nas minhas crenças pessoais, acredito que tirar a nossa própria vida é uma falta grave. Espero que o cara, no outro lado, supere a dor e que descanse. Um parágrafo para uma pessoa já é pouco. O acidente aéreo levou muitas. Muitas vão todos os dias. E não dá pra se enlutar por cada um que morre no mundo, a não ser que ela realmente signifique muito para nós. Respeito, por favor.

- Escrito pelas 14h06, .

Ainda existem espaços para os palhaços?

Ainda existe lugar no mundo para os palhaços? Ou melhor. Será que eles já tiveram algum lugar? Digo, será que os palhaços realmente tiveram alguma relevância para a sociedade, para a população? Eles provocavam risos, mas isso quer dizer alguma coisa? Crianças e adultos riam com eles, riam deles, o que seja, e iam para as suas casas, pensando nas suas vidas, na vida real. Elas levavam consigo o palhaço, ou deixavam ele ali, onde quer que fosse que ele estivesse?
Alguns palhaços eram famosos. Como não lembrar do grande Abelardo Barbosa, o Chacrinha, Faustão dos anos 80, da época que a Rita Cadillac era musa e as bandas nacionais faziam rock? Tinha também o tal Carequinha, que volta e meia aparecia na tv (e se a minha memória não falha, sua morte até lhe rendeu alguma homenagem). Tinha o Bozo também, que hoje vende telesena e ninguém liga, e aquela trupe dele (a vovó Mafalda e o outro que eu sempre esqueço o nome). Alguns palhaços faziam sucesso no Rio de Janeiro muito antigamente, na época do teatro de revista, mas afundaram junto com o teatro de revista quando o cinema chegou no Brasil. Na tv manchete tinha um programa de "valetudo-de-mentirinha" que tinha um palhaço brigador. Tem um filme também de um palhaço assassino, acho que é de alguma das 400 histórias do Stephen King que viraram filme.

Acho que um dos poucos espaços onde hoje em dia o palhaço tem espaço é o circo. E eu já nem lembro mais quando foi a última vez que eu vi um circo aqui em União da Vitória. Dizem que teve um esses dias, mas eu não fui. Aliás, parece que pouca gente foi. Eu pra falar a verdade, com tanta correria na vida, tinha esquecido dos circos da infância. Lembrei umas semanas atrás, quando viajando eu passei por um circo em alguma cidade no caminho. Mas acho que hoje em dia nem as crianças mais se interessam pelos palhaços. Se alguma criança ainda quer ir num circo, elas nem devem querer saber dos palhaços: elefantes, leões...isso é bem mais divertido que um abobado de nariz vermelho falando (ou vezes escrevendo) merda. 
Agora falta espaço para os palhaços. O problema é que a única coisa que eles sabem ser é palhaço. Alguns até tentam buscar novos espaços, querem agora ser sérios, bonitos, intelectuais, artistas. Se propagandeiam por ai feito loucos, mas não percebem que são no máximo alguma paródia, alguma imitação mal feita. Uma vez nascidos palhaços, sempre serão palhaços. Não adianta nem eles quererem ser uns palhaços mais chiques, se dizerem pierrots e choramingarem pelas suas colombinas. São só palhaços. Só.

Ah! Não dá pra esquecer do palhaço da Ótima né? Aquele que tá sempre ali, na avenida, com aquele megafone, propagandeando as ofertas da loja do Toninho. Aquele ali é quase folclore, de tanto tempo que ele está por ali. Mas ele que se cuide. Tem gente atrás do posto dele. Daqui uns dias vai ter palhaço fazendo publicidade em cima de uma bicicletinha por ai

Piada é bom para se contar. Mas não para se tornar.

- Escrito pelas 13h24, .

o digníssimo mundo do trabalho

Ah, o trabalho. Antigamente, entre a nobreza feudal era visto como algo indigno. Um nobre de verdade era aquele que não precisava trabalhar. Com a ascensão da burguesia na história, as coisas mudaram da maneira como hoje a nossa sociedade vê o trabalho: como algo que dignifica o homem. "O trabalho engrandece o homem", argumentaram com o Zé Carioca certa vez. Este respondeu: "o trabalho emagrece o homem".

Os malandros cariocas do inicio do século XX, cantados pelos precursores do samba carioca (e depois por compositores como o Chico Buarque) tinham aversão ao tabalho. Isso se devia aos últimos resquícios da escravidão, na época abolida a pouco tempo. Como, quando da abolição, muitos ex-escravos vieram compor as massas urbanas trabalhadoras dos grandes centros, a figura do malandro carioca nasceu junto com o samba, naquela época.

Eu fazia parte de um célebre grupo de preguiçosos, juntamente com Deodato, o mito, e o Caik.  Deodato antigamente costumava dar aulas de como aproveitar a vida de não-trabalhador. Um dos seus célebres ensinamentos, sobre a fórmula da felicidade, ainda ecoa nas mentes mais antigas. Segundo Deodato, o segredo da felicidade era acionar o despertador para bem cedo, só para lembrarmos de que não tinhamos nada para fazer no dia e voltarmos a dormir. Grande Deodato! Deodato abandonou esse grupo. Virou "curador" do museu da cidade. Apesar de isso ser um "não-trabalho", ele tem um salário para isso, o que o torna um trabalhador. Sobrou eu e o Caik. Agora não mais.

Hoje a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior divulgou o resultado do programa "Universidade sem Fronteiras", que dá bolsas para projetos tocados por inntituições de ensino superior. E eu faço parte de um projeto desses da FAFI, que tem como objetivo ensinar
história local para crianças dos colégios da região. O projeto foi aprovado. Vou agora ganhar uma bolsa para dar aulas, o que pode ser considerado o meu primeiro salário. Logo, sou agora um trabalhador.

Agora só falta o Caik.

- Escrito pelas 01h36, .

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