ninguém josé

"Como vou querer que as pessoas entendam o que passa pela minha cabeça se nem mesmo eu entendo?"
- Dalí

Tolkien

~ Lista de assuntos ~

  1. Todos

Ver textos mais antigos

- Links -


By TwitterIcon.com

(instrumental)

Fico pensando a coisa dificil que é dar nome a uma música instrumental. As bandas de rock progressivo, quando lançavam um disco conceitual tinham seu trabalho facilitado. Era só pegar o tema do disco (geralmente era a adaptação de um livro ou coisa parecida) e tirar um nome da história. Tipo o Blind Guardian, que não é rock progressivo, mas é conhecido por fazer músicas baseadas na obra do Tolkien. Por exemplo, tem uma música instrumental deles que começa com guitarras em solos velozes, ai entra o contrabaixo fazendo uma parada complicada e depois explode a bateria, com seus pedais duplos a toda velocidade, enquanto os guitarristas continuam punhetando no braço da guitarra. Depois disso tudo, os caras foram batizar a música de "Gandalf's Rebirth", em referência ao retorno do simpático mago dos abismos da terra-média. Mas e quando o disco não é conceitual, e a banda não tem uma marca registrada tão forte como o Tolkien para o Blind Guardian? A banda tem que inventar um nome qualquer para a música, que não tem letra para ajudar. Sim, é fácil: basta pegar qualquer palavra, entre tantas em nosso vocabulário (ou em qualquer outro idioma do mundo ou da terra-média). Mas tem bandas que conseguem se superar na escolha de títulos, fazendo ótimas músicas com nomes engraçadados.

Tem duas bandas independentes nacionais que fazem rock instrumental, com muita qualidade. Ambas eu conheci no programa do Jô (que bom que esse programa ainda serve para alguma coisa): do Rio Grande do Sul o Pata de Elefante, e da Bahia o Retrofoguetes.


pata de elefante


retrofoguetes


o som do Pata de Elefante tem influências no rock setentista, Hendrix, Cream, Funk dos anos 70. Já o Retrofoguetes é surf músic, com psychobilly, boleros, música mexicana, música de circo.

Mas o mais interessante deve ser o processo de nomeação das músicas dos caras. O Retrofoguetes por exemplo, influênciados por Isaac Assimov, Flash Gordon e outros temas de ficção cria títulos como: "As Concumbinas Mecânicas do Doutor Karzov", "As Criaturas Enjauladas do Circo Espacial de Moscou", "A Fantástica Fuga de Magnólia Pussycat", "O Avanço da Robótica", ou "Leve-me ao seu Líder".

Já as músicas do Pata de Elefante tem títulos como o próprio nome da banda, "Soltaram!" (o quê?), "Soooopra!", "Não Esqueça o Remédio", "Gato que Late" e a ótima "Dor de Siso".

Vale muito a pena curtir o som dessas bandas.

- Escrito pelas 00h16, .

freud explica esse pneu

                      

Tava assistindo o ótimo "No Direction Home: Bob Dylan", documentário do Scorsese sobre os anos iniciais da carreira do último beatnik quando, numa determinada cena, aparece o Bob compondo uma música, e mostrando a letra para uma amiga. Ai o Bob pede para essa amiga ler a música e dizer se entendeu alguma coisa. A amiga diz que sim, e o Bob fala algo do tipo: "daqui uns anos, vai ter gente escrevendo interpretações sobre o que eu quis dizer com essa letra".

Isso destruiu minha monografia sobre o Chico. Leio ótimas interpretações da obra do Chico, escritas por doutores que explicam, citam outros autores,fazem diagramas, comparações e o caralho a quatro. Claro que tudo faz sentido, e é até legal você sacar as idéias desses caras.
Porém, a gente pode chegar a essa conclusão: Será que o Chico (ou o Bob, ou qualquer outro compositor) pensou algo do tipo: "vou escrever essa letra assim e assado, para apenas poucos dos muitos que ouvirem essa música entenderem a minha mensagem aqui contida"?

Tipo, eu to andando na rua, e vejo um gato matar um rato e comê-lo. E eu escrevo uma música sobre esse evento e faço algum sucesso. Daqui uns anos um estudante babaca de história (ou letras, ou jornalismo, ou qualquer outra coisa) vai escrever uma monografia dizendo que "José Such fez-se valer de desenhos animados como Tom & Jerry, aliados ao texto x de Fulano e o texto y de Ciclano que ele leu na faculdade, para críticar a hipocrisia que reina na sociedade usando a metafora do rato e do gato, representando a luta de classes, e blá blá blá..." Quando na verdade eu só estava falando dum gato que matou para se alimentar!

Só espero que se um dia algum retardado resolver fazer uma monografia sobre mim, ele não tenha as dificuldades que eu estou tendo. Afinal, é dificil abrir o o Word e ficar olhando para ele por horas sem conseguir escrever uma frase sequer.

"Esse trabalho tem como objetivo analisar os traumas, as dificuldades psicológicas eos problemas psiquiátricos de José Such tendo como fonte a sua extensa produção bloguística..." 


blergh!

 

- Escrito pelas 23h35, .

micos.

Aos feios e gordos como eu não existe o direito à vaidade. Isso é pra quem é bonito ou possui um físico atlético (odeio essa palavra, porém é melhor que sarado). Para as pessoas como eu resta apenas se esforçar ao máximo para poder sair de casa e passar desapercebido pelas pessoas. Eu particularmente tenho muito medo de sair de casa em alguma situação ridícula (nas quais sou craque) como: casca de feijão no dente, braguilha aberta, pasta de dente no rosto, tênis desamarrado, roupa suja ou amassada, entre outros micos.
Ai as pessoas não entendem porquê eu implico tanto com a merda do posto de gasolina (ponto de encontro da pior espécie de gente da cidade) e a merda do mercadinho (onde a pelegada compra o "gole") que ficam na esquina da rua da minha casa. A presença das pessoas que ali se reúnem me incomoda, o barulho que elas fazem me incomoda e a sujeira que elas deixam também me incomoda. E o que incomoda mais é eu ter de passar no meio de toda essa gente, seja pra sair ou pra chegar em casa.
Acontece que eu precisava sair, e me arrumei meio atrasado, tanto que sai de casa com o cabelo molhado e tudo mais. E o meu ritual pra sair de casa dura um tempo comparável ao das noivas. Não pra sair bonito, mas pra evitar as tais situações constrangedoras que eu citei acima. E nesse dia não foi diferente. Chequei na frente do espelho pelo menos umas trinta vezes antes de sair de casa para ver se não tinha nada de errado. Mas nada disso adiantou. Passando perto do tal mercado, olhando pro chão no meu jeito corcunda de andar, escuto um dos pelegos pronunciar alguma coisa na gíria pelega, aonde eu identifiquei apenas "sair de casa" e "pasta de dente".
Pronto. Estou com pasta de dente no rosto. Geralmente, quando saio na rua tenho impressão de que as pessoas estão me olhando e achando graça de alguma coisa. Com a ajuda do pelego anônimo, tudo só piorou. Meu destino é a casa de um amigo, algumas quadras da minha casa. O trajeto passa pelo centrão da cidade, onde tem um maior número de pessoas transitando.
São momentos tensos. Primeiro, coloco uma das mãos sobre a boca, fingindo um bocejo ou algo do tipo. Passo a língua nos cantos da boca, acima e abaixo dos lábios...nada de gosto de pasta de dente.  Procuro por vitrines, parausá-las como espelhos. Tudo escuro, nenhum lugar pra me olhar com clareza. Talvez numa loja de lingeries, mas eu não quis parar numa vitrine dessas, lógico.  A manga do moleton já tá passando discretamente no rosto. As pessoas continuam passando, e eu continuo bocejando, olhando pro chão. Até atravesso a rua, pois no outro lado julguei ter menos pessoas passando. Encontro amigos. Seja que eles vão notar? Será que eles vão me avisar? Não disseram nada. Só tiraram sarro do time do Coxa. Aliás, por tiração de sarro, o que esses caras adoram fazer, eles podem muito bem não avisar, só para a minha vergonha ser maior.
Continuo andando, desviando de pessoas, agindo de forma estranha, passado a manga da blusa no rosto, bocejando, olhando pro chão...Será que a pasta de dente não está na roupa? Checo tudo. Nada. Só não olhei na sola do tênis pois iria aparentar que eu tinha pisado na merda, e isso é pior do que sujeira de pasta de dente. Passo na frente de uma pizzaria badalada, cheia: coceira no ouvido, tapando o rosto.
Chego no prédio do meu amigo. Tem umas menininhas na frente. Baixo a cabeça, disfarço o máximo possível e aperto no interfone. Tem câmera em cima dele. Será que alguém, nos inúmeros apartamentos do prédio, está nesse momento olhando as imagens da câmera? Baixo a cabeça. Atendem o interfone, me apresento e abrem a porta. Corro pro elevador, um espelho...

Nenhum sinal de pasta de dente no meu rosto, nem na roupa. Isso é complexo, e eu sou um dos maiores complexados do mundo. Pensando bem,  eu acharia menos esquisito alguém com um pouco de pasta de dente no rosto na rua do que um cara gordo, corcunda, bocejando, coçando a orelha, olhando pro chão, passando a manga da blusa no rosto, olhando desesperado para as vitrines e desviando de todas as outras pessoas que passam por ele. 

- Escrito pelas 01h33, .

maldade reacionária.

Acabou de rolar um acidente aéreo em São Paulo. O piloto perdeu o controle do avião na aterrisagem, saiu da pista, invadiu uma avenida e bateu num prédio. Explodiu, e rolou um incêndio. Uns 180 passageiros, provavelmente mortos agora.

A culpa é de quem? do Lula, é claro.

Ele esteve no aeroporto, e jogou um casca de banana na pista. Essa foi a causa. E a Marta devia estar gozando ali perto...

Impeachment nesses vagabundos já!

- Escrito pelas 19h33, .

buena, bueno,bueno...

                                              

Um guitarrista não muito conhecido chamado Ry Cooder resolveu ir gravar um disco em Cuba no ano de 1996. Nessa viagem, teve a oportunidade de conhecer nomes esquecidos de uma velha guarda da música cubana, todos na faixa dos 80 anos. Encantado com a qualidade do som dessa grande turma de velhinhos, Ry Cooder fez uma grandiosa contribuição para a música mundial revelando todos esses nomes para o mundo, gravando um disco com todas essas pessoas. Além disso, chamou um amigo, cineasta alemão, chamado Wim Wenders para filmar toda essa galera fazendo música no seu habitat natural, a bela Havana, e contar um pouco sobre suas vidas e dificuldades, além de mostrar um pouco dos shows internacionais que eles fizeram, inclusive no aclamado Carnegie Hall em Nova York. O resultado disso é o documentário Buena Vista Social Club, que além de mostrar para o mundo esse tesouro musical perdido, nos permite pensar num monte de coisas tendo o filme como ponto de partida.

Primeiramente, o filme pode ser um chute na nossa bunda comodista e conformada, que prefere ficar sentada pensando nos seus problemas ao invés de levantar e realmente tomar atitudes. Afinal, quem esperaria que, músicos na faixa dos 80 anos, desacreditados e esquecidos poderiam fazer sucesso mundial com sua música, ainda na mais no estilo que ela é (salsas, rumbas, boleros, etc.), nesse mundo dominado pela música pop que a industria escolhe para os nossos ouvidos? Esses homens, como Ibrahim Ferrer e Compay Segundo podem até ter desistido num determinado momento de suas vidas,como o filme mostra. Mas eles tiveram suas chances já perto da morte, e mesmo assim souberam aproveitar muito bem.  Me pergunto o que nos impede de também acreditar chegar a algum lugar e lutar por isso, nem que a gente alcance com 80 anos, como Ibrahim Ferrer que, ao fim de sua apresentação no Carnegie Hall, uma das casas mais famosas do mundo, com um olhar emocionado contemplava a platéia, mostrando a sensação de dever cumprido.

Outra coisa interessante de se ver no filme é aquela velha discussão, Cuba versus Mundo capitalista, onde "em Cuba tudo é horrível" e todas aquelas balelas. Apesar de estarem num país pobre, onde a miséria está visivelmente marcada nas imagens do filme, a alegria de viver dos caras mostra que o ideal de vida do povo cubano passa muito longe dos sonhos capitalistas de trocar de carro todo ano, ter o celular mais caro, a roupa da moda, os eletrônicos mais avançados, etc. A simplicidade dos caras está em suas roupas, em suas casas, nos prédios em ruínas da cidade de Havana. Mas a riqueza do povo cubano está em outros valores muito diferentes daqueles que a sociedade capitalista nos condiciona. Um deles é a música, que é a personagem principal do filme.

Um cena muito interessante é quando alguns dos músicos saem pelas ruas de Nova York, maravilhados com a grandeza da cidade. O contraste entre eles e os novaiorquinos é evidente. Enquanto estes andam pelas ruas na correria, na pressa de suas vidas capitalistas onde o "tempo é dinheiro", os dois velhinhos caminham tranqüilamente pelas mesmas ruas, fumando seus cigarrinhos, dando risada e trocando abraços. Quando um deles se depara com a figura de Marilyn Monroe e pergunta "quem é esta?" me ficou a pergunta, sobre quem dos dois seria o mais importante: A loira imortalizada pela sua imagem de beleza física e nada mais ou um velho músico que contribuiu grandiosamente para a música do seu pais e do mundo?. Eu fico com o segundo, sem dúvida nenhuma.

Hoje, em 2007, todos eles estão mortos. A fama e o reconhecimento demoraram décadas para chegar e apenas uma para eles desfrutarem delas. Mas o legado que Ibrahim Ferrer, Compay Segundo e amigos deixaram para o mundo é imensamente maior do que muita coisa que faz sucesso (mesmo que esse seja duvidoso) durante anos mas que facilmente irão cair no esquecimento, cedo ou tarde. Esses velhinhos são uma lição de vida em muitas maneiras e o mundo deve agradecer a Ry Cooder por nos ter apresentado esse maravilhoso grupo de músicos e reforçar a nossa fé na boa música, tão castigada nos nossos dias.

- Escrito pelas 23h30, .

discutindo relação

Era certo que o relacionamento entre eles já não era o mesmo, visto que a rotina do dia-a-dia era desgastante e ele acabou passando a preferir deitar-se para dormir quando chegar do trabalho do que dar um pouco de atenção para a sua companheira. Ela que sempre estava de prontidão para quando ele chegasse, cheia de amor e disposição,  acabava toda noite desapontada pelo desinteresse do seu amado.
Disso para as desconfianças foi um pequeno passo, e os sinais eram evidentes: marcados nas roupas, nos cheiros, nas atitudes...tudo levava a crer que tinha outra no pedaço.
 E a bandida era conhecida.  Estava no trabalho dele, onde ficavam o dia todo juntos, quase sem se desgrudar... isso só podia ser uma coisa: traição. E ela não ia deixar barato, muito menos que a coisa toda continuasse. Colocou ele na parede e o fez falar:

"Eu já sei de tudo, mas quero ouvir de sua boca, confesse seu canalha!"
"O quê??? Do que você tá falando?"
"Você sabe muito bem. To falando daquela que está tirando você de mim, me roubando sua atenção e seu carinho..."
"Você tá ficando louca?
"Eu sei de tudo, e você não vai mais me enganar. Você e aquela maldita..."
"Ah! Implicando com ela de novo? Quantas vezes tenho que te dizer que ela é só uma colega de trabalho, só isso, nada mais!
"Mas você chega em casa e vai direto deitar. No máximo passa na cozinha e toma um banho. Depois deita naquela cama, liga a maldita tv, vira para o lado e dorme! O que está acontecendo para você não me querer mais? Só pode ser ela, eu sei..."
"Querida, é só uma colega de trabalho, eu já te disse. E no mais, eu passo o dia todo sentado no trabalho que, quando chego em casa, já não quero mais sentar, por isso que, e isso eu até confesso, eu ando deixando você de lado..."

Ele costumava buscar viagens diferentes. Numa dessas tentativas, fez chá com algumas plantas erradas e pirou. Quando chegou em casa, passou a conversar com uma velha cadeira de palha, lembrança da casa de sua avó. Essas conversas acabaram se tornando um romance que pouco a pouco foi ficando doentio, e a velha cadeira de palha não se conformava com o fato dele a ter trocado por sua "colega" de trabalho: estofada em couro, com ajustes de altura, giratória e totalmente ortopédica. Assim a briga ficava injusta, naturalmente.

ok. sei que não levo jeito pra isso... 

- Escrito pelas 21h17, .

- Ver os textos que já foram pros arquivos.