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"Como vou querer que as pessoas entendam o que passa pela minha cabeça se nem mesmo eu entendo?"
- Dalí

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amizades

Houve um tempo em que amizade era uma coisa maravilhosa. Quem nunca pensou algo do tipo, "quem dera ser amigo desses malucos", ou "esse cara deve ser bem gente boa".

O mundo moderno nos trás hoje ferramentas que auxiliam nas amizades. Telefone celular, orkut, msn, blogs e flogs...enfim,  hoje em dia, na sua lista de msn podem estar reunidos online uns 30 amigos seus. Isso é uma coisa que não existia antigamente. Ou você reunia todos no mesmo lugar e aproveitava para fazer uma festa (que coisa chata né?) ou então ficava horas e horas tentando ligar para a Top FM (que mais antigamente era 95) para mandar um "toque" (naquela época não exisita celular) para a sua galera ou para aquela gatinha que você estava afim. Ou então, você estava numa balada (na época ainda chamada de disco) e tinha que arrumar um papelzinho para escrever o nome de quem você queria chamar atenção e pedir para o DJ falar entre uma música ou outra. Ou seja, tudo isso são coisas que essa geração malhação de hoje não vai conhecer.

Só que a modernidade também mudou o conceito de amizade. Ser amigo hoje (salvo algumas exceções) não é mais como a turminha daquele filme "Conta Comigo", onde eles até se jogavam num lago cheio de sanguessugas em nome da amizade. Ser amigo hoje em dia está se tornando uma coisa muito fácil. Basta uma pequena conversa na canaleta, um add no msn e no orkut, e depois de três dias a pessoa já faz um depoimento no orkut falando sobre o quanto é maravilhoso ser teu amigo(a).

Então, sigam o meu exemplo e não confiem em todo mundo. Hoje me passaram um site onde você coloca seu login e senha do msn e ele descobre para você quem te bloqueou. E pasmem: se na lista do site mostra que a pessoa te bloqueou, mas você está vendo ela online na sua lista, quer dizer que ela nem seu deu ao trabalho de bloquear você antes de excluir você da lista.

Assim você acaba descobrindo que aquelas pessoas super legais que você adorava conversar, aquela gente que você pensava: "porra! Esse é um filho da puta dum grande amigo!" não passam de pessoas que simplesmente evitam você, pelo menos no msn.

Quem acompanha o blog sabe que eu já briguei com trocentas mil pessoas, e todos eles estão lá. Só que estão lá também pessoas que você não entende porque te bloquearam (como um professor meu, hahahahahahaha) ou outras pessoas que estavam na sua lista de melhores amigos mas que isso não deve ser recíproco.

É perigoso.

 

obs- Se eu bloqueei você, não se ofenda. Eu devo ter alguma explicação, rs.

- Escrito pelas 00h06, .

livros

Quem tem o hábito da leitura e que possui um bom acervo em casa sabe quanto é o valor que um livro tem para o seu dono. Além do preço agregado (é um bem de consumo), o valor sentimental de cada obra é incalculável. E ai entra a questão: emprestar ou não emprestar? Algumas histórias:

Eu não me considero um cara chato para emprestar livros, desde que a pessoa tenha responsabilidade o bastante para me devolve-lo inteiro. Eu até brinco quando empresto alguma coisa, dizendo que são três pesos: o de levar, o de trazer de volta e o na consciência se alguma coisa acontecer com ele. Os livros da série o Guia do Mochileiro das Galáxias, por exemplo: dos 5 livros, eu só li os dois últimos. Os outros eu comprei depois de ter lido os exemplares emprestados de um amigo. E muita gente leu esses meus livros (eu chutaria em mais de 10 pessoas) mas o estado deles ainda é impecável. Já o mesmo não se pode dizer do primeiro volume da trilogia d'O Senhor dos Anéis, A Sociedade do Anel. Eu tenho muita pena dele, porque ele ta feio. Aquelas letrinhas douradas metalizadas (do nome do Tolkien) já não aparecem mais. E as mãos ignorantes que já tiraram esse livro da minha guarda não aprenderam que, para ler um livro, não é preciso "arregaçar" ele (quase encostando capa com contracapa). Resultado disso: na próxima leitura dele, será preciso o triplo de cuidado, ou então é quase certo que as páginas irão começar a soltar.

Emprestar livro dos outros é mais foda ainda, para quem sabe o quanto dói receber um livro danificado depois de um empréstimo. A precaução e a preocupação são nessas horas multiplicadas em mil.

 Mas o pior é quando, no ato de emprestar, você não presta atenção no livro, e depois, em casa você nota alguma coisa, desde uma orelhinha quase imperceptível ali no cantinho até uma mancha de caneta estourada nas páginas.

Uma vez, um amigo meu trouxe um livro aqui em casa, e eu deixei ele em cima da escrivaninha e já sai de casa.  No outro dia, peguei o livro e tinha uma baita mancha do que parecia ser café. E tinha uma xícara de café no lado do livro! E agora?
Passei a mão no telefone e liguei para esse amigo: "Ei cara...tinha alguma coisa errada com o teu livro, tipo...uma mancha ou coisa parecida? E ele responde: "Ah! Tinha sim! Até por causa disso eu paguei mais barato no livro onde eu comprei!". Ufffa!

Outra vez eu fui buscar um livro na casa de outro amigo, e como eu tinha inglês depois, pûs o livro na minha pastinha onde tinha, além do livro, minha apostila do inglês e um lápis. Mais nada. Chegando em casa do inglês, a constatação: uma mancha de caneta no livro! Mais precisamente, caneta estourada.  Também liguei para esse amigo, mas desta vez ouvi uma resposta negativa. Para ele, o livro estava intacto. Mas eu juro (palavra de um dono de grande número de livros) que aquele livro não chegou perto de caneta alguma! Mas já era. A Acetona ajudou a aliviar as manchas (é um solvente de fácil evaporação, ideal para limpeza de papéis) mas não limpou totalmente. O livro ainda não voltou para o dono, mas quando penso nisso, a consciência pesa...mesmo sabendo que não fui eu. Um livro danificado dói...e dói muito!

Agora pouco aconteceu também um fato semelhante. Cheguei em casa, com um livro emprestado, e quando fui olhar, no canto da capa tem uma pequena orelha e uma espécie de...raspagem no cantinho (capa preta, pedaço branco..deve ter sido isso). Eu cuidei bem do livro, e prestei muita atenção no manuseio e no transporte. Mas e agora? Fui eu, ou não fui? Já estava assim ou não? O agravante, é que o livro é do meu orientador da monografia.

Ish!

- Escrito pelas 00h26, .

professores

Estranha essa profissão de professor. Você trabalha a vida inteira nisso...vamos chutar uns 30 anos. E a cada ano você é responsável por umas...vamos chutar umas 8 turmas. E vamos chutar que cada turma tenha umas 30 pessoas. Ao fim de sua carreira, você terá convivido com muitas pessoas. Agora imagine que coisa chata deve ser um professor andando na rua, levando sua vida quando de repente ele é parado por alguém dizendo: "Grande professor! Quanto tempo! Ta lembrado de mim?".

Na minha época de Colégio São José, eu era tido pelos professores como um aluno muito indisciplinado e, com alguns problemas psicológicos sérios (e faz sentido) por causa do meu mau comportamento e meu temperamento revoltoso. Tinha professoras, como a de Química e a de Literatura que me odiavam, e perseguiam implacavelmente. E não é mentira não: quem estudou comigo naquela época sabe muito bem que isso é verdade.
Mas ao mesmo tempo tinha aqueles professores que viam certo potencial em mim e acreditavam que talvez eu pudesse sair dali para ter um bom futuro. Professores como esses que a gente sempre acaba levando nos pensamentos para toda a vida, com saudades e como exemplo (no meu caso, que vou ter de seguir essa profissão).

Lembro que, por volta da 6ª ou 7ª série eu tinha conhecido a figura do Che Guevara. E gostava tanto que, certa vez, uma professora me deu de presente uma foto grandona do Che, e fez uma dedicatória para mim no verso, com uma mensagem de apoio terminando com a famosa frase do Che.  E eu guardei aquela foto com carinho por todos esses anos e, sempre quando acho ela na bagunça do meu quarto, lembro que alguém lá atrás acreditou naquele menino que vivia sendo suspenso no colégio.

Eu achei, depois de um tempo, a professora no orkut (ela hoje mora em outro país). Eu add ela, deixei um recado do tipo: "Oi professora! Quanto tempo! Tá lembrada de mim?". Ela, que teve muitos alunos, que viajou o mundo, não respondeu. Me aceitou como amigo no orkut, ta lá, mas não houve resposta, Será que ta difícil reconhecer aquele menino magro com cabelo penteado com gel nesse cara gordo, cabeludo, barbudo e de óculos? Mas e o nome? Mas tudo isso pouco importa, o Che autografado por ela ta ali, e eu sempre vou lembrar dessa professora, que conversava numa boa com um aluno de sétima série sobre Led Zepellin e Doors.

Enquanto isso, a professora de literatura lembra de mim. A de química, graças ao tal de Deus eu não vi mais. E dentre os que acreditavam no Zé, cito dois, um de geografia e outro de história. O de geografia foi dessa para uma melhor e o de História eu encontro toda hora por ai, mas quando eu digo para ele: "ei meu! eu escolhi fazer história por tua causa" ele só dá risada da minha cara.

- Escrito pelas 12h16, .

Maria.

Eu gosto de Elis Regina. Principalmente do disco ao vivo no Montreaux Jazz Festival, de 82. Acho ela uma grande voz. E

É que pensando na MPB, eu aprecio muito mais quem compõe as músicas que canta. Por exemplo, o Jair Rodrigues. As pessoas o pintam como um monstro sagrado da MPB enquanto eu só o acho um velho gagá metido à besta. Para mim, a única coisa de relevante que ele fez em toda sua carreira foi ter vencido o festival com a música do Geraldo Vandré, e nada mais.

Mas eu comecei falando da Elis porque as pessoas se emocionam muito com as suas interpretações de "Como Nossos Pais" e "Maria Maria". Ok, realmente são muito bonitas e tal, mas, eu prefiro mil vezes "Como Nossos Pais" cantada pelo Belchior e "Maria Maria" pelo Milton Nascimento. E as pessoas não me entendem, quando expresso essa minha opinião. Tem gente que até fica indignada com isso. Entre outras coisas elas dizem: "Mas a Elis coloca um sentimento que só ela pode colocar nas músicas!". Eu não concordo.

Maria Maria é uma música muito foda. Com o Milton Nascimento e com a Elis. Mas eu prefiro qualquer interpretação do compositor às da intérprete. Quem puder ouvir a versão do disco ao vivo "A barca dos amantes" (com participação do saxofonista Wayne Shorter) pode tirar a prova disso (sem falar na belíssima linha de baixo, digna de Geddy Lee). E qualquer vídeo dessa música sendo tocada ao vivo pelo Milton também. A alegria das pessoas cantando junto com ele para mim é muito mais válida que o sentimento que a Elis colocava na música.

Mas eu gosto da Elis, repito,antes que venha alguém brigar comigo nos comentários.

- Escrito pelas 23h45, .

Wilson Das Neves

                        

Se você não é fã do Chico, nem curte muito a MPB, seu nome pode parecer apenas mais um entre 6 bilhões. Mas é preciso saber que Wilson das Neves é um brother que tem a moral.

Porque?

Vamos aos fatos:

- Não sei ao certo o tempo exato, mas ele toca bateria para o Chico há no mínimo uns 20 anos.

- Logo, subentende-se que ele seja um exímio instrumentista.

- E sortudo, pois um dia foi chamado para tocar com o Chico.

- Um dos passatempos dele é tocar na Orquestra Imperial, uma big band de sambões que ja teve como crooner o Seu Jorge, e atualmente Rodrigo Amarante, do Los Hermanos.

- Chico Buarque, no seu show "Carioca", canta uma música de composição sua.

- E ele canta também, junto com Chico.

- No show de Curitiba, ele "intimou" o Chico para dar uma sambada.

- E depois, pediu ao público uma salva de palmas para "o meu parceiro querido".

- Sim. Chico Buarque, naquele momento era "o parceiro" de Wilson das Neves.

Wilson Das Neves. Ele tem a moral.

- Escrito pelas 22h43, .

já te falei que eu tenho medo de altura?

O segundo balcão do Teatro Guaíra é alto. Alto mesmo. O cara que sentou no meu lado, sem nunca ter me visto na vida já chegou falando: "poxa cara...eu esperava que isso fosse um pouquinho mais baixo".
Mas se existe uma pessoa com o poder de anular qualquer convenção matemática relacionada à medidas de distância, esse alguém chama-se Francisco Buarque de Hollanda ou Chico para os íntimos, ou seja, o Brasil. Durante as quase duas horas de show, mesmo eu estando lá em cima, parecia que o cara estava tocando na minha frente.

Esse foi o show da minha vida.

Chico Buarque tem tanta moral, que não precisa abrir seu espetáculo com uma música própria; ele prefere cantar a sugestiva "Voltei a Cantar", de Lamartine Babo. Não sei se era porque eu estava chorando e não notei, mas essa, juntamente com "Mambembe" e "Dura na Queda" vieram todas juntas, como num medley. Nessa hora já passava todo o filme na cabeça, de quando minha mãe falava do Chico quando eu era pequeno...de quando eu comecei a realmente gostar do Chico, da minha monografia, de todo o tempo que passou desde que eu soube pelo Cacau Menezes, no ano passado ainda, que o Chico estaria no sul, até aquele momento, onde eu estava frente a frente com alguém que até então era um mito para mim... mito vivo, um personagem histórico, um patrimônio...Mas ele estava ali, com o seu violão, "na minha frente", num teatro lindo, com uma acústica perfeita...enfim: já sabia que aquela noite seria um divisor de águas na minha vida: AC/DC - Antes de Chico e Depois de Chico.

O Show prosseguiu. Não era um show para levantar e sambar (alguém me disse para sambar bastante e "tentar entender as letras do Chico"). Até sambas bem animados, como Morena De Angola ficaram mais leves, íntimas...talvez isso até me ajudou a "entender" melhor o Chico, já que não é todo mundo que tem a honra de ser "filho do homem". Nessa mesma Morena de Angola o Chico até tocou uma parada que eu não sei o nome, semelhante a um xilofone...

O Chico não é de falar em shows. Ele é tímido. Mas contou para todos sobre o disco do qual três músicas do set foram tiradas, escrito com Edu Lobo e que foi encenado pelo balé do mesmo Teatro Guaíra: O Grande Circo Místico, de 1983. Num momento raro de silêncio entre uma música e outra, uma mulher gritou "eu te amo" para ele, e logo depois o teatro todo fez o mesmo; e ele repondeu "eu amo você também", e novamente foi ovacionado.

O Chico foi tocar Bolero Blues. A banda entrou, ele soltou uma sílaba e ela morreu no ar. A banda experiente não passou, e sim parou. Problema Técnico? Não. Chico explica, no seu jeito tímido: "desculpa gente. Esqueci a letra". Como foi bom ver isso, ver que ele também é humano, enfim...bastou uma boa respiração, um gole de qualquer coisa e voltou a cantar a letra, sem esquecer nenhuma parte, como se aquilo que o Teatro inteiro viu não tivesse nem acontecido.

Chico chamou o companheiro Wilson das Neves (baterista que toca com ele há muito tempo) para cantar. Grande Hotel, música de autoria de...Wilson das Neves.  E o cara cantou, e o Chico ficou ali, parado, arranhando um tamborim. Chico ainda cantou a segunda parte da música, e foi "intimado" pelo baterista para um "duelo" de samba no pé. Mas não dançou, só mexeu um pé para um lado e para outro e provocou risos...e mais aplausos.

Ele estava saindo do palco quando uma mulher (a mais invejada da noite) invadiu o palco. E abraçou ela, o que não foi a sorte da outra atrasada que também tentou invadir.

- Escrito pelas 01h20, .

(continuação)

O momento da galera toda cantar foi no bis. E que coisa linda acompanhar junto com três mil pessoas o mestre nas suas últimas músicas. "Sem Compromisso", "Deixa a Menina", "Quem te viu, quem te vê" e "João e Maria" para fechar a noite. E assim terminou. Chico deu tchau e deixou o palco, depois de ter mudado a vida de todo mundo que estava ali. E entre tanta gente estava eu. 

E usando a última frase da música e da noite : "agora eu era um louco a perguntar, o que é que a vida vai fazer de mim?".

E o quê que a vida fez de mim? Ela resolveu ser generosa (o que é raro pra mim), e a noite não acabou ali, tinha algo mais reservado ainda adiante, algo que eu mal fazia idéia ainda. Ainda estava em transe nessa hora, e se a noite tivesse acabado ali mesmo, já estaria perfeita. Mas eu perguntei "o quê que a vida ia fazer de mim", e ela fez algo mais, mas isso já é outra história.

Chico Buarque no Show Carioca.

04/04/2007 - Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto, Teatro Guaíra, Curitiba, Paraná.

Músicas:

Voltei a Cantar, Mambembe, Dura na Queda, O Futebol, Morena de Angola, Renata Maria, Outros Sonhos, Sempre, Porque Era Ela Porque Era Eu, Imagina, Mil Perdões, A História de Lily Braun, A Bela e a Fera, As Atrizes, Ela é Dançarina, Ela Faz Cinema, Eu te Amo, Palavra de Mulher, Leve, Bolero Blues, As Vitrines, Subúrbio,  Futuros Amantes, Morro Dois Irmãos, Bye Bye Brasil, Tororó, Grande Hotel, Ode aos Ratos, Na Carreira.

Bis:

Sem Compromisso, Deixe a Menina, Quem te Viu Quem te Vê, João e Maria.


e isso tudo não é 10% do que eu poderia ter falado sobre o show.

- Escrito pelas 01h18, .

to me guardando pra quando o Chico chegar...

No mais, to indo ver o Chico.

Um abraço pra quem fica, especialmente para os meus amigos que, de coração me desejaram uma boa viagem e um bom show. Eles sabem o quanto esse show vai significar para mim e torcem por mim...E eu juro que o que eu mais queria era que todos eles estivessem lá no Guaírão comigo, compartilhando comigo toda a felicidade que esse show vai proporcionar aos escolhidos do destino que lá estarão. Mas prometo pensar em todos vocês lá.

E para quem rogou contra mim por mim ir nesse show sinto muito, mas o santo meu é forte e com certeza vai sobrar uns segundinhos para mim pensar em vocês lá também. Pois afinal, todos merecem o Chico, independente de quem seja seu pai, seus dons musicais ou o tamanho do seu ego. O Chico é do Brasil, e não dos arrogantes. O Chico não é nenhum funcionário da coquetel, que fica bolando aqueles testes de lógica para testar o quanto você é inteligente para entender o problema. O Chico fala a língua portuguesa clara, para quem quiser ouvir. Então, não vou precisar me esforçar para "tentar entender" o que ele diz. Eu entendo, e todos entendem.

Se o próprio Chico conhecesse essas pessoas que o escutam só para se dizerem "intelectuais" com certeza ele reprovaria.  Em grande parte da sua obra ele tentou escapar dos censores, não escolher "quem merece" entender sua mensagem.

Então, amanhã eu to indo lá ver ele, levando comigo todas as boas energias dos amigos que me desejaram bom show. E será. E eu voltarei, com muitas histórias para contar e com uma maravilhosa inspiração para continuar a escrever minha monografia.

Um música do homem, pra terminar:

Quem me vê sempre parado, distante garante que eu não sei sambar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando e não posso falar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo as pernas de louça da moça que passa e não posso pegar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Há quanto tempo desejo seu beijo molhado de maracujá
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando que eu vou aturar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar...

Hasta!

- Escrito pelas 23h16, .

é amanhã

Amanhã será um lindo dia
Da mais louca alegria
Que se possa imaginar

Amanhã, redobrada a força
Pra cima que não cessa
Há de vingar

Amanhã, mais nenhum mistério
Acima do ilusório
O astro rei vai brilhar

Amanhã a luminosidade
Alheia a qualquer vontade
Há de imperar, há de imperar

Amanhã está toda a esperança
Por menor que pareça
O que existe é pra festejar

Amanhã, apesar de hoje
Ser a estrada que surge
Pra se trilhar

Amanhã, mesmo que uns não queiram
Será de outros que esperam
Ver o dia raiar

Amanhã ódios aplacados
Temores abrandados
Será pleno, será pleno

- Escrito pelas 11h27, .

numa festa de filosofia e de história...

x- Então você vai ver meu pai é?

eu- Como assim? Pai?

x- o Chico.

eu-Ah tah, tinha esquecido que você é "filho" dele.

x- Hum. Mas pelo menos eu tenho a discografia inteira dele.

eu- É. Eu também.

x- Duvido. Até os em italiano?

eu- Sim. E os em espanhol, e as músicas fora da discografia.

x- Mas eu me considero muito mais fã de Chico Buarque que você.

eu- Foda-se. Quem vai no show sou eu...

x- Mas pode esperar, eu ainda vou ver ele ao vivo também.

eu- Sim. E eu ainda verei ele ao vivo mais uma vez.

...

eu- mas, fique tranquilo. já que você não vai no show, te convido para assitir no fim do ano a apresentação da minha monografia, que é sobre o Chico.

x- Ah! Você tá fazendo sobre ele é?

eu- Sim. Desde o ano passado fazendo já.

x- Cuzão. Só porque eu tava pensando em fazer a minha sobre ele.

eu- mas quem teve a idéia e começou a fazer primeiro sou eu.

x- a obra dele é muito vasta, posso fazer também.

eu- mas numa faculdade pequena, vai parecer quase um plágio. normal.

...

eu-não se preocupe, eu mando um abraço pro teu "pai" em seu nome.


 

- Escrito pelas 12h01, .

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