férias.
Férias. Ahhhhhhh, as férias!
Palavra mágica, que provoca suspiros em qualquer pessoa quando mencionada. Das épocas de colégio, significava não ter de acordar cedo, agora na faculdade significa ter a noite toda para fazer coisas legais, e não ter de agüentar por um tempo aqueles professores.
Férias, férias, férias...
Tudo perfeito, maravilhoso e lindo. Como a propaganda da Skol: “- o que você vai contar para os seus netos?”. Praia, amigos reunidos, festas rolando, a vida sendo celebrada em manifestações dionisíacas em todos os finais de semana, ou então todos os dias (para os que agüentam).
Férias são o máximo, não concorda?
Claro que não. Tudo isso é balela.
Meu primeiro dia oficial de férias, um sábado, e cá estou eu, na frente de um computador. Minhas vistas doem, é claro, pois estou desde de tarde aqui. Já são 10 horas da noite e nada. E eu fico sem ouvir música, esperando a porta lá em baixo abrir ou o telefone tocar, e alguém dizer: “- e ai Zé? Vamos dar uma volta?”
Mas é claro que a porta não vai abrir, muito menos o telefone tocar. Todo sábado é assim. Às vezes as coisas até aparecem, mas são bem nos dias que “eu não posso” ir. Vida ingrata. Os dias passando ligeiros (vocês notaram como passou rápido esse ano) e como em 73 Roger Waters tinha previsto, estou desperdiçando meu tempo. E adianta estar em férias assim?
Porque quando tem aula, apesar de todos os trabalhos que te impedem de estar sempre atualizando seu blog, você encontra todos os seus colegas e conhecidos, conversa, dá risada e até dá uma escapada até o boteco do Moreira para tomar uma Antarctica. Nas férias isso não existe.
Desde meus tempos de colégio, não lembro de umas férias que eu tenha aproveitado bastante. Vai ver é castigo, por eu nunca levar à sério as obrigações do decorrer do ano. Então, eu acabo passando três meses em casa, quando as pessoas estão viajando, fazendo festa e aproveitando suas vidas. Ai, no ano que vem, vou ter de escutar todas as histórias das turmas que foram para a praia e passaram um tempo x curtindo a vida, como todos deveriam ter chance de fazer.
E a campanha “adote o Zé como amigo” não deu certo, nem vai dar.
Quer saber? Foda-se. Afinal, eu nem to em férias ainda. Tenho dois exames finais para daqui duas semanas. Mas isso é assunto para outra hora. Agora vou ver qual é a boa da Tv Senado para essa madrugada, ou vou jogar canastra sozinho, ou elifoot, ou ler (como se eu já não fizesse isso a semana toda). Ou então vou ali no mercadinho da esquina, comprar uma Heineken, por uma venda no olho e escutar um Beatles, imaginando que estou no Cavern Club, em Liverpool, com muitos amigos, aproveitando a vida que eu não tenho.
Obs- Agora vou demorar menos para atualizar a coisa aqui. Afinal, tempo é o que não vai faltar.
- Escrito pelas 21h31,
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Hoje na TV Cultura, às 17:15 tem o programa Bem Brasil. Para quem não sabe, é um programa onde bandas e artistas fazem seu show, conversam com o apresentador, e essas coisas.
Hoje, no Bem Brasil, o show é da cantora Maria Rita. Para quem não sabe, ela é uma cantora que faz um trabalho lindo de mpb com fortes influências do jazz. Outro detalhe: a menina é filha de uma cantora chamada Elis Regina, só que ela sempre opta por não explorar esse detalhe para se promover.
Se você conhece ela pela globo,associa ela à mãe. A globo faz isso. A novela “Senhora do Destino” também tinha uma música cantada pela Maria Rita como tema de abertura. A música em questão era de um cara chamado Milton Nascimento. Para quem não sabe, ele é um grande compositor da nossa música.
Mesmo não gostando de comparações com a mãe, ai vai um fato sobre Maria Rita: Ela é intérprete, como mamãe também foi. Canta músicas como a do já citado Milton Nascimento, umas da Rita Lee, umas de outras gentes, e ela já gravou também músicas de um cara chamado Marcelo Camelo. Para quem não sabe, Marcelo Camelo é guitarrista dos Los Hermanos.
Dizem que nos shows da Maria Rita, muitas pessoas saem no fim chorando. Os jeitos e trejeitos dela cantar são muito iguais ao da mãe. Mas ela não quer ser comparada com a mãe. De jeito nenhum.
Enfim, Maria Rita, às 17:15 na TV Cultura.
- Escrito pelas 12h12,
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Quando você vai num show dos Los Hermanos, você tem a certeza que as melhores expectativas que você tiver para o show serão concretizadas.
Quando você sai de um show dos Los Hermanos, você vê que estava totalmente enganado. Eles te surpreenderam mais uma vez.
As circunstâncias eram perfeitas. Tipo, um sonho muito real. Você ver a melhor banda brasileira das que surgiram depois de 1990 (e que daqui uns anos vai superar muita galerinha dos anos 80), num lugar muito foda que é o Teatro Guaíra, com dois shows antes, lá em baixo na platéia e pagar apenas R$ 7,50 de ingresso. Não parece sonho?
Universo em Verso Livre e Mombojó eram apenas detalhes: o primeiro surpreendente, o segundo ficando a desejar. 99,9% dos presentes queriam mesmo é Los Hermanos. De certo devia ter um adolecentezinho metido à indie que, querendo dar uma de alternativo, foi ver uma das outras bandas. Mas gente assim não conta.
Sobre os Los Hermanos, não hà o que falar. Poderia citar musica a musica. Será que precisa? Eles tocaram menos músicas do 4, mais do Ventura (“De onde vem a calma” e “O velho e o moço”, as melhores surpresas). Teve as introduções de “Day Tripper” e “Alive” do Pearl Jam, mas só de brincadeirinha. Teve uma contagem de tempo no prato de condução que iniciou “Casa Pré-Frabricada” e me deixou muito feliz. Não teve nada do primeiro, nem “Todo Carnaval Tem Seu Fim”. “O Vencedor” ficou no meio do setlist. “Retrato Pra Iaiá” antecedeu o intervalo. E na volta “Cara Estranho”
Ai, eles chamaram o Mombojó pra tocar junto. Fizeram "Um Par”, “Fez-se Mar” e “A Flor”, que fechou o show.
Teve dançinha do Amarante, teve Bruno Medina paradão. Teve a galera dos metais batendo palminhas. Teve o Marcelo dizendo “Vocês são muito lindos!” e brincando de guitarrista de Heavy Metal com o Amarante. Teve o mesmo Marcelo jogando serpentina na galera, e sendo enrolado por uma pelo vocalista do Monbojó.
São alguns momentos na nossa vida em que você para e pensa “Puxa! Como eu to feliz!”. Você esquece que meninos não choram e escondido no escuro do teatro deixa uma lágrima escapar. Você dança esquisito e não liga porque todo mundo ta dançando esquisito. Você viaja uns 270 quilômetros para ver uma banda que você não quer que nunca toque na sua cidade, simplesmente porque sua cidade não merece um show dos Los Hermanos. Você compra uma camiseta que ninguém mais tem na tua cidade e que quando você usar as pessoas vão olhar e pensar: “Ih! Esse gosta da Ana Julia!” E você sabe que eles tão pensando isso e se pudesse responderia “Sim, eu gosto! E conheço todo o resto”. Ou então, nem liga para o que pensam. Porque você é fã de Los Hermanos (dos legais, é claro). E isso merece toda uma outra história que fica no quem sabe...
”E qualquer um de vocês, nunca vão entender...” *
* não vão mesmo.
- Escrito pelas 23h35,
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não entrem em pânico!

Tudo o que acontece, acontece.
Tudo o que, ao acontecer,
faz com que outra coisa aconteça,
faz com que outra coisa aconteça
Tudo o que, ao acontecer, faz com que ela mesma
aconteça de novo, acontece de novo
Isso, contudo, não acontece necessariamente
em ordem cronológica.
Malditos trabalhos da faculdade que não me deixam começar a ler esse livro logo. Em breve, falarei do livro mais esperado do semestre.
- Escrito pelas 14h04,
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procura-se uma turma
Procura-se uma turma, que queira me adotar. Será que ainda resta alguma? Sei não, sei lá. Apesar da minha ficha constar 30 defeitos para cada qualidade (se bem que muitos defeitos para mim são quase qualidades), acho queo velho Zé, velho de estrada, mas com muito combustível pra queimar, ainda tem algo à acrescentar à uma turma, à amigos que queiram minha amizade.
Mas eu não to reclamando da falta de amigos. Eu tenho bastante. Mas 80% deles moram fora da cidade, ou esquecem da amizade nas horas de celebração, ou (ainda) já não “festeiam” mais. E acho que meus grandes amigos que agora estão fora da cidade não vão ficar com ciúmes caso alguma turma queira me adotar, nos fins de semana que eu fico enfurnado em casa, vendo o Serginho Groismann ou os Paradigmas do séc. XXI na cultura.
Os amigos que ficaram por aqui, e que lembram da gente (às vezes) nas horas de se curtir a vida fazem coisas, e agem de maneiras que já não são mais compatíveis nem com a idade, e nem com...ah! sei lá.
Antigamente, quando eu era um adolescente metido à rebelde, tipo 14...15 anos, eu até achava legal vestir minha camiseta do Iron Maiden e tomar bebida barata sentado numa sarjeta ou numa praça. Hoje já não vejo graça, ficar se expondo em ambientes sujeitos à repressão policial, pessoas drogadas ou idiotas que querem brigar com você por motivos mais idiotas ainda. Esses dias um amigo meu (acho que é meu melhor amigo, ou o que eu mais ando, ou andava) estava urinando em plena canaleta da Manoel Ribas, e achando a coisa mais normal do mundo. Isso é peleguice, falta de educação, formação...sei lá. Pode ser um discurso moralista babaca, mas meus pais me ensinaram muito bem à respeitar as pessoas sempre. E ficar mostrando o pinto na rua mais movimentada da cidade é uma puta falta de respeito. E é mais ou menos esse tipo de coisa que eu já não curto mais fazer.
Não é vergonha. Meu amigo às vezes me acusa de ter vergonha dessa amizade. Passa longe disso. Eu tenho é orgulho e satisfação de ser amigo ou conhecido de tanta gente por ai, dos caras mais humildes aos mais ricos da cidade, que estudavam comigo no colégio.
(Se você não está entendendo o que eu estou escrevendo, não se preocupe. Eu também to achando confuso). É que eu to numa fase onde eu penso coisas do tipo: “nossa! eu to ficando velho, as responsabilidades estão aumentando e eu quero aproveitar essa época”. E eu não to aproveitando. Pelo menos, não acho nada proveitoso tomar bebidas baratas e escutar todas as porcarias que tenho escutado ultimamente, pelas praças e “frenteadas” da vida.
Eu não me divirto quase nada nessa cidade. Só quando os amigos que estão fora vem de suas cidades. Só quando a Laís está aqui, de três em três semanas, às vezes bem mais.
Por isso eu to procurando uma turma que me adote. Uma turma que faça festa, goste de reuniões, beber cerveja, ver filmes, conversar sobre assuntos inteligentes, jantares, rodízios de pizza, acampamentos...andar na rua de madrugada também, tocar um violão na praça (evitando babacas metidos à manos, sempre). Serve até essas baladas ai da cidade. Antes eu achava que nelas só tinha gente burra, mas agora to vendo que tem burros iguais fora também. Na mesma proporção. Não se pode escapar disso.
Então, resumindo tudo, fica assim: Individuo de 19 anos, acadêmico de história (desequilibrado), meio depressivo mas que às vezes chega a ser engraçado, gosta de música boa, toca violão e está cansado de perder tempo com peleguices, procura turma de amigos que às vezes convide ele para fazer coisas mais legais do que sentar numa praça pra tomar conhaque barato, escutar merda a noite toda e correr riscos que vão de prisão à espancamento. Ele promete ser legal e divertido às vezes. Interessados, tratar pessoalmente.
Isso não vai dar certo.
- Escrito pelas 00h38,
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A tal da “série de posts” que eu falei no último era besteira. Na hora eu até tava falando sério, mas ai eu pensei mais à respeito e cheguei à conclusão de que não leva a nada falar de política no Brasil, pois a verdade é que a maioria das pessoas não entende absolutamente nada de política. E a historinha que eu vou contar mostra bem isso.
Isso aconteceu com a mesma pessoa que uma vez disse que o Raul “era do diabo” (alguém lembra dessa história? Procurem no histórico).
Essa pessoa veio perguntar para mim se eu tinha assistido ao debate que tinha acabado de passar na globo. Depois da minha resposta afirmativa, ela começou a falar mal do Lula. Isso para mim era uma ótima oportunidade, pois eu adoro brincar de Sócrates com as pessoas e enchê-las de perguntas para no fim mostrá-las (ou não) que elas estão profundamente enganadas.
Não convém aqui colar o conteúdo da conversa, até porque meu msn não guarda histórico, então eu vou resumir o conteúdo do papo num diálogo criado por mim mesmo, bem simplificado. Prometo que não vou escrever nada que a pessoa não tenha dito pra mim. Para preservar a pessoa, vou me referir a ela com um X.
X- Oi! Viu o debate ontem?
Zé- Vi sim. O que achou?
X- Ai. Tomara que esse Lula perca!
Zé- Porque?
X- Ai. Já to cansada de tanta roubalheira.
Zé- E você acha que o Alckmin é honesto é?
X- É melhor que o Lula
Zé- Pelo visto você não lembra muito do governo FHC né?
X- Lembro sim. Mas o Lula rouba bem mais.
Zé- E as 60 CPI’s abafadas do FHC? E as privatizações?
X- E as roubalheiras do Lula? Você viu o avião dele?
Zé- Me desculpe por falar desta maneira, mas você não pertence à elite. Você é trabalhadora, e o Alckmin governará para os patrões.
X- Mas o PT de trabalhador só tem o nome.
Zé- Ah é? Você sabe algo da história do PT? A atuação dele na história? Você sabe que PSDB e PFL são partidos de elite, herdeiros da ARENA, o partido da ditadura?
X- Ai. O PSDB é formado por intelectuais, não esses vagabundos do PT.
Zé- Que intelectuais? Não sei de nenhum.
(CONTINUA ABAIXO)
- Escrito pelas 18h30,
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Zé- Você viu a lista dos deputados e senadores envolvidos no mensalão, e na máfia das sanguessugas?
X- Não. Porque?
Zé- Porque a maioria são dos partidos de direita. São muito poucos os do PT. Quase nenhum. Você sabe o que é esquerda e direita na política né?
(silêncio)
Zé- Você sabe que os de direita tem idéias neo-liberais, enquanto a esquerda é marxista. Você sabe o que é neo-liberalismo?
X- Não.
Zé- Sabe o que é marxismo? Karl Marx? Conhece as idéias dele? Leu algo?
X- Não.
Zé – Você lembra do deputado daqui da cidade, o (nome cortado)?
X- Não
Zé- Pois é! Ele era deputado na época em que foi votado o projeto da reeleição. Ele ganhou uma fazenda em troca do voto a favor. Isso prova que o mensalão existia no governo dos tucanos já, não concorda?
X- Ai. Se isso acontecia, como que não se falava nada à respeito?
Zé- Porque a mídia, a Globo, a Veja acobertavam tudo.
X- Aii! Você adora falar mal da Globo né?
Zé- Digo alguma mentira?
X- Ai. Você fala mal de quem vê novela. Não vejo problema algum nisso.
Zé – É por isso que você não sabe nada de política. Porque perde tempo com novela.
X- Ui seu grosso! Não sabe respeitar a opinião dos outros?
Zé- Sei sim. Só queria que você analisasse os fatos antes de emitir suas opiniões
X- Olha aqui. Eu tenho a minha opinião, e eu odeio o Lula. E você não vai me convencer ao contrário, como eu não quero convencer você.
Mestre Confúcio já dizia. De que adianta ensinar quem não quer aprender?
Obs- Nessa conversa eu li (foi por msn) muitas bobagens e burrices a mais do que as que estão relatadas aqui. Mas as que eu pus acima já dão idéia de como pensa o brasileiro telespectador da Globo e leitor da Veja. Essa é a gente que não sabe em quem vota. Que estufa o peito e orgulha-se de ser do sul e votar em Alckmin, enquanto os nordestinos que votaram no Lula são "ignorantes e analfabetos". Pouco sabe essa gente que, o pessoal mais carente que vota em Lula o faz assim por saber quem e´o cara que tá melhorando a vida deles, e quem é o cara que, se eleito, iria ser omisso com eles. Enquanto isso, essa classe média-baixa, que estufa o peito em dizer "O Sul é meu País" (e que não consegue escrever três linhas de argumentos sobre o porquê disso) vota nos tucanos e acha que é esclarecido, porque lê Veja e assiste o Jornal Nacional. Mais ignorantes são estes, pois são os "analfabetos políticos" que o Bertold Bretch dizia.
- Escrito pelas 18h29,
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- Ver os textos que já foram pros arquivos.