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"Como vou querer que as pessoas entendam o que passa pela minha cabeça se nem mesmo eu entendo?"
- Dalí

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Nuvem Cigana ( Mílton Nascimento)

 

 

Se você quiser, eu danço com você

No pó da estrada

Pó, poeira, ventania

Se você soltar o pé na estrada

Pó, poeira

Eu danço com você o que você dançar

 

Se você deixar

O sol bater nos teus cabelos verdes

Sol sereno, ouro e prata

Sai e vem comigo

Sol, semente, madrugada

Eu vivo em qualquer parte do seu coração

 

Se você quiser eu danço com você

Meu nome é nuvem

Pé, poeira, movimento

 Meu nome é nuvem

Ventania, flor de vento

Eu vivo em qualquer parte do seu coração

 

Se você deixar o coração bater sem medo

Se você deixar o coração bater sem medo

Se você deixar o coração bater sem medo

Se você deixar o coração bater...

 

- Escrito pelas 09h33, .

Penso, logo desisto.

 

é...

- Escrito pelas 22h32, .

a moda agora é “rotular”.

 

Ontem eu estava andando pela cidade analisando a imbecilidade humana quando encontrei o Rodrigo (Bozó), e paramos para trocar algumas idéias, na tarde fria que espantou os “punkzinhos” da canaleta. Com uma canaleta tão “despoluída”, aproveitamos para jogar conversa fora.

Um dos temas legais levantados na conversa foi a questão “moda-comportamento” que desde a revolução industrial vem influenciando as cabeças do mundo todo. A moda, não atinge só o vestuário e as atitudes das pessoas. Até a própria fala é atingida por modismo, e é exatamente sobre isso que os rumos da conversa atingiram. Vamos refletir:

 

Poucos anos atrás, na tv bandeirantes, existia um programa de tv chamado “descontrole” (isso me soa tão “emo”!), apresentado por um cara chamado Marcos Mion. Esse apresentador, em sua fala, tinha um termo muito interessante, e era tão usado por ele nas meias horas diárias de tv que, logo logo, toda a petizada tava falando também: “Isso é tosco”, “aquilo é tosco”, “ui que tosco”, “ele é tosco”. Detalhe: se você perguntasse para qualquer exemplar desses projetos de gente o que significava a palavra tosco...não precisa continuar né?

Agora um que não se difundiu tanto. “Psicodélico”. Tudo era psicodélico...o arco-íris, as pessoas nas ruas, o rio passando, cachorros trepando...tudo virou “psicodéééélicooo”. Eu poderia listar outras tantas, e até queria, mas eu cheguei até a esquecer muitos dos termos que eu ia mencionar no texto. Mas agora, vamos para a palavra do momento: Rótulos.

 

Tudo relacionado a Rótulos ou o verbo “rotular” caiu nas graças da petizada de canaleta, os “emos punks”. Chegam na canaleta perto das 3 horas, e ficam até 5 horas, quando vão para suas casas assistir Malhação ou Rebelde. Ficam naquela postura de, “Olha aqui! Nós somos diferentes”, “somos legais”, “estamos antenados com o momento”, “abaixo os porcos capitalistas e a coca-cola”, “povo controlado”, “ viva Bakunin (nunca leram Bakunin) e essas coisas.

Ai, quando nós, os mais velhos, que sabemos um pouco mais da vida do que essa criançada de ensino médio (que não se preocupa em realmente “crescer”) expressamos nossa raiva contra eles, simplesmente falando alguma coisa do tipo: “eeeeeeeemmmmmmmmmooooooo”, eles começam:

 

“- Aiaiai..quer rótulos? Cole na bunda!”, “não me rotule”, “José vive querendo rotular as pessoas”. Além da franjinha, dos beijos pseudo-homossexuais, dos adidas, dos cintos com arrebite e tudo mais, a palavra rótulo está na moda com a galerinha “cabeça”...

 

As vezes fico pensando que a gente deveria pensar em algo pelo futuro desses “aborrecentes”. Tentar conscientizar, tentar falar alguma coisa. Mas não. Pensando bem, vamos deixar que a vida se encarregue de cuidar dessa criançada. Não será a gente que vai sujar as mãos de merda para tentar salvar esse povinho da imundice. Vamos apenas rir, das suas vidinhas inúteis, suas palhaçadas, e de todo o resto. No final, serão fêmeas envergonhadas de seu passado negro e fútil, e machos fúteis e ignorantes, que ainda por um tempo vão se achar politizados, por riscar um “A” dentro de um circulo, citar Bakunin, falar mal do governo, e morrer achando que fizeram suas partes para lutar contra o “capitalismo selvagem”...

 

 

crianças.... se acham espertas, quando são apenas mal-criadas..

 

 

 

 

 

 

- Escrito pelas 11h45, .

Há dois mil anos atrás viveu um homem que, vendo que o mundo não andava legal, pensou em como as pessoas poderiam ser mais felizes e viverem melhor. Só que ele escolheu 12 bandidos para o ajudarem na tarefa de difundir essas ideias por ai. Hoje estamos celebrando um acontecimento no qual um desses doze homens traiu o cara das idéias, e por isso este foi pregado em pedaços de madeira. Os 11 que sobraram continuaram por ai, criaram uma instituição que, além de queimar pessoas, celebrava a data da morte do cara que queria que as pessoas fossem legais umas com as outras. Agora, o capitalismo tomou essa data para si, percebendo que é um ótimo negócio vender chocolates...e por ai a história vai...

 

Feliz Páscoa pessoal. Comam muito chocolate, e, livres de qualquer dogma, procurem pensar num mundo melhor. È fácil se vocês tentarem.

- Escrito pelas 02h39, .

Será que eu me daria bem naqueles concursos da FIEL, que dão quantias legais de dinheiro de prêmios em livros? Para o ensino superior, o tema é uma crônica que envolva fiel-livros-cultura....

 

 

 

 

É que eu tava pensando em fazer...

 

 

- Escrito pelas 09h47, .

 .

Cheguei em casa faz alguns minutos. Discuti com minha mãe, quase agredi um indivíduo que infelizmente saiu da mesma barriga que eu, e surrei a porta do meu quarto ao ponto do trinco dela estar neste exato momento inutilizado e mais algumas rachaduras. Uma placa que eu tinha pendurada na mesma porta, daquelas de posto de gasolina escrito: “Perigo: Inflamável” está com um buraco no meio...

 

Porque?

 

Motivo Geral: Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de União da Vitória. Disciplina: Iniciação à Pesquisa Histórica.

 

Motivo Objetivo: Falta de tema para a maldita, filha da puta, lazarenta e tudo o mais que eu possa escrever para afastar um pouco da minha raiva, monografia.

 

É uma coisa simples para qualquer ser humano normal. Menos para mim. Se eu morasse em General Carneiro, Mallet ou Cruz Machado poderia ser muito mais simples: Qualquer coisa relacionado com imigração polonesa. O mesmo vale para outras cidades e outras etnias. Se eu fosse puxa-saco dos professores, eu poderia fazer sobre algum assunto que eles gostam, como as meninas que estão fazendo escravidão. Se eu fosse um cara inteligente, eu faria sobre filosofia, literatura, musica, cinema ou outra coisa.

 

O problema é que eu não consigo pensar em nada. Nada me interessa. Pensei em contracultura, mas é um assunto muito abrangente. Maio de 68? Falta de fontes. Woodstock? Idem. Que tal contracultura no Brasil? Qual o maior exemplo de contracultura no Brasil? A tropicália? Sim, é um tema interessante, mas eu não me empolguei. Sem falar que faltaria o problema.

Cheguei até a pensar nos seguinte: A influência do movimento tropicalista na obra do poeta Paulo Leminski. Mas, eu não teria capacidade/vontade/ânimo para tal. E a tropicália foi um movimento esquisito. Sem falar que as coisas que Caetano Veloso e Gilberto Gil fazem hoje desmerecem toda e qualquer importância que eles tenham para a história.

Que tal então traçar um paralelo entre a tropicália e o cinema novo? Também não foi para a frente.

Outro tema. Uma análise historiográfica sobre a obra de Chico Buarque, relacionando com o período da ditadura, com a censura, em fim...essa coisa ai. Mas também não me empolguei.

 

Chego a conclusão de que eu sou um cara que não tem personalidade. Meus gostos não são genuínos, nem meus pensamentos. Sou fútil. Fútil por não ter nenhum assunto no mundo que me interesse a ponto de ser transformado num tema para uma monografia. Sou ignorante, porque sei muito pouco de tudo; acho que, se eu soubesse das coisas mais profundamente, eu conseguiria um tema. E antes que você me pergunte porque eu não me aprofundo nos assuntos, eu respondo: eu não me interesso. Eu não sirvo para nada.

Minha cabeça ainda ta na segunda série do ensino médio. E eu não to nem um pouco afim de vir para a faculdade. Eu odeio tudo isso...

 

Aceito sugestões para a minha monografia. Ao contrario, irei ainda essa semana trancar a faculdade, arrumar um emprego, e seguir a vida como ela deve ser: um peão de chão de alguma madeireira, ignorante, iletrado, sem curso superior...

 

 

E sem esse maldito blog.

- Escrito pelas 23h01, .

 

 Eu sempre tinha em mente colocar em prática certos planos que eu tinha feito para a minha vida. Mas, hora por não ter coragem, hora por não ter vontade, e hora por qualquer outro motivo que agora não vem ao caso, eu acabava deixando de lado essas idéias. Nos últimos dias (ou tempos) tenho adotado para a minha humilde vida uma prática que aprendi com o meu amigo Deodato que consistia na não-ação e na contemplação dos acontecimentos do mundo. Ta certo que Deodato leva isso na brincadeira, mas eu encarei seriamente, e desde então venho observando algumas coisas que tem acontecido em volta, algumas coisas que eu tenho pensado, em algumas posturas que eu costumo tomar, em algumas maneiras que eu costumo agir, ou seja, em tudo relacionado a essa existência insignificante, ou seja, eu. E eu fiz uma lista de coisas em mim (ou que acontecem comigo, ou que fazem comigo) que eu realmente não gosto. E eu decidi mudar essas coisas. Mas, lógico, não dá para fazer isso tudo de uma hora para outra. Até dava, e é muito mais simples: era só eu fechar agora minha janela, trancar a porta do meu quarto, colocar o Dark Side Of The Moon no som, ouvir ele inteiro, apagar a luz e dar um tiro na cabeça. Pronto. Tudo que eu queria estava feito. Mas eu não estou pronto para o suicídio: isso vai demorar um pouco mais. E eu também não posso me isolar de todas as outras formas humanas de vida, porque eu ainda preciso de algumas. Então, eu farei tudo isso em partes. E a partir de hoje, quando eu sentir vontade/necessidade ou achar que é um assunto legal, eu vou falar dessas mudanças. Hoje eu vou falar da primeira que eu vou por em prática:

 

Eu vou me calar.

 

Não. Não to ameaçando fechar o blog. E muito menos (para a decepção de muitos) não to anunciando que eu vou abandonar todas as pessoas a minha volta. Mas essas mudanças vão de certo modo interferir tanto no que eu escrevo aqui como na minha relação com outros seres simiescos com polegar opositor e capacidade de raciocinar. Eu simplesmente vejo que é hora de ficar quieto em horas que eu costumo falar, e deixar de lado o teclado em horas que eu costumo digitar. Ta na hora de eu fechar a jaqueta e esconder a camiseta que eu to usando (isso é assunto para o post inteiro) porque eu acho essa coisa de ideologia de grife uma babaquice. Ta na hora d’eu me fazer de ignorante (seria agir normalmente?) e ficar quieto. Ta na hora d’eu deixar de lado toda essa mesquinhez e prepotência que às vezes eu mostro, e que tem muita gente que tem (e ainda essas pessoas tem a hipocrisia de dizer que não gostam dessas coisas); ta na hora d’eu me fazer de fútil ao invés de ter qualquer tipo de atitude panfletária. E ta na hora de, como diz o João, agir de uma maneira que muita gente ai merece: “Se essas pessoas quiserem comer merda, ou posso servir com uma pá, mas não vou participar desse imundo banquete”.

 

E tem mais o que falar. Mas ta na hora de parar de reclamar para as pessoas e começar a engolir minhas mágoas, problemas e frustrações sozinho de uma vez, do que ficar inutilmente mendigando um ombro para chorar, uma palavra amiga, ou qualquer coisa do tipo de pessoas que não tão nem ai para mim.

 

Tá na hora de dizer "não quero", ao invés de fazer coisas que eu faço me sentindo na obrigação ou na falsa necessidade.

 

Com essas mudanças, esse blog vai ficar um pouco sem assunto.

Falarei mais amanhã, ou depois, tanto faz...

 

 

 

Vão se foder! (ta na hora d’eu começar a falar isso para as pessoas em algumas situações)

 

 

- Escrito pelas 20h37, .

O tempo destrói tudo.

Irreversível é o nome do filme. Acredito que este seja o filme que mais me chocou na vida. Foi realmente foda assistir. Sua violência explícita, aliada ao jeito que foi filmado e a estrutura do filme (o filme começa pelo fim, e termina no começo da história, inclusive, os créditos do filme são exibidos antes) jogaram junto para me chocar, com a intensidade das imagens que estava entrando na minha cabeça. Eu não vou falar da história; apenas vou dizer que, o enredo aborda como um dia que começa extremamente feliz para uma pessoa, exalando promessas maravilhosas de um futuro igualmente maravilhoso, pode acabar na maior desgraça que pode acontecer a um ser humano, pode resultar na desilusão, no desespero, na dor, ou em algum outro sentimento que nem o mais pessimista dos poetas possa descrever, muito menos existe qualquer possibilidade de existir alguma palavra que nomeie ou pelo menos dê uma idéia do quão horrível seja este sentimento.

A cena do estupro (pronto, contei o principal) é horrível. Acho que nunca existiu no cinema uma cena que chegue um pouco perto do mal que essa cena possa causar no espectador, ou pelo menos que em mim tenha causado. A cena dura 18 minutos; minutos que passam como uma eternidade, que em sua intensidade me deixaram imóvel, sem mexer as pálpebras, sem conseguir sequer desviar por um segundo que fosse a atenção da tela. E é como aquele velho papo: isso é mentira, mas sabemos que isso existe lá fora. O pior é a sensação que a gente tem de querer ajudar a personagem e saber não ser possível, ficando assim assistindo, impassíveis, como se fossemos cúmplices do agressor. A cena me mostrou um lado nojento do ser humano. Mostra como é deprimente a nossa condição, em como é intensa a nossa dependência do desejo, como dizia Schopenhauer, e em como podemos descer o nível para conseguir tal; como um ser humano que, na teoria, possui racionalidade pode agir como o mais estúpido dos animais. Ali também me veio imagens da minha mãe, da minha irmã, da namorada, das amigas, das colegas de classe, das primas, tias, vós, vizinhas, ou numa filha que talvez um dia eu tenha ou seja, todas as mulheres que fazem parte da minha vida, e como todo homem tem em sua vida muitas mulheres,  e fiquei pensando o que leva um idiota a cometer tal atrocidade. É de perder qualquer esperança na humanidade...

O agressor é assassinado. Isso logo no início do filme, já que o enredo se desenrola de trás para frente. Foi outra cena muito forte do filme, que testa a força dos nossos estômagos...

Um filme que mostra, como o acaso, e as escolhas que a gente faz, por mais bobas que sejam (esperar um folga no transito para atravessar uma avenida movimentada ou usar uma passarela subterrânea e sofrer um estupro?). E em como nossas vidas podem mudar num curto espaço de tempo. Essa é a idéia final do filme, com a frase que encerra este (que seria também o começo da história)

 

O Tempo destrói tudo.

 

- Escrito pelas 22h48, .

Depois da palhaça feita pelo cinema da cidade, de retirar o cartaz e exibir apenas para alunos da Uniguaçu, finalmente consegui assistir O Jardineiro Fiel, o tão aclamado filme inglês dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles, vencedor do Oscar e do Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante (Rachel Weisz) e todas as outras coisas que todo mundo já deve saber a respeito do filme.

Eu achei um filme bem legal. Como eu sempre falo aqui, eu não sei observar muito bem certos detalhes técnicos de um filme mas, na minha impressão, dá para ver bem o estilo de filmar parecido com o Cidade de Deus. E agora vi que a mulher realmente mereceu ganhar o Oscar. Ela atuou bem mesmo.

Mas, como acontece sempre num filme que tem roteiro adaptado de um livro que a gente já leu, sempre acabamos achando defeitos em relação à história original. Algumas personagens de relativa importância foram cortados, a visita de Justin ao Canadá e a Itália, e umas outras mudanças, como o reencontro do Justin e do Sandy, que não foi como no livro. A Ghita, que é uma personagem bem secundária, perdeu o pouco da importância que ela tinha. Dava para fazer uma lista enorme. Mas nada disso acaba atrapalhando a história, e se não houvesse a maioria dessas alterações, o filme teria uma duração interminável. E quem sabe vendo o filme e lendo esse post eu não acabo despertando o interesse de alguém pelo livro? Depois de ver o filme, quem se interessar*, pode pedir sem problema nenhum.

 

 

 

 

# Mutantes, Não vá se perder por ai.

- Escrito pelas 23h05, .

Na Inglaterra do futuro, a violência das gangues de delinquentes juvenis impera, provocando um clima de tensão. Alex lidera uma dessas gangues e, após praticar vários crimes, é preso e submetido a uma reeducação oferecida pelo estado. Ele se torna uma cobaia, num experimento onde seus impulsos destrutivos serão represados. Essas técnicas o torna impotente diante da ambiguidade moral a que se encontra quando conquista a liberdade. Alex passa a ser perseguido por aqueles que foram suas vítimas, Mr. Alexander e sua esposa, destacando o lado obscuro das pessoas.

 

 

Hoje, à 0:00 horas, o SBT vai passar esse grande clássico do cinema. Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick. E não é mentira não (1 de abril). Sim. Teremos a oportunidade de ver esse grande clássico do cinema na tv aberta, com cortes e idiomas dublados. Mesmo assim, não dá para perder. Bem melhor que balada....

- Escrito pelas 13h57, .

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